domingo, 9 de agosto de 2015

'Deixem Dilma governar, pois precisamos do Brasil para sair de nossa crise', disseram os patrões da burguesia tupiniquim! - Marcos Doniseti!

'Deixem Dilma governar, pois precisamos do Brasil para sair de nossa crise', disseram os patrões da burguesia tupiniquim! - Marcos Doniseti!
Sede do Banco Central Europeu (BCE), Frankfurt. Zona do Euro ainda enfrenta uma elevada taxa de desemprego, de 11,1%, e a UE ainda tem 23,3 milhões de desempregados. Para sair da crise, países ricos querem assumir o controle das riquezas dos países em desenvolvimento, incluindo o petróleo do pré-sal. Isso ajuda a entender porque o PSDB e a Grande Mídia defendem a privatização da Petrobras e a entrega do pré-sal para as petroleiras estrangeiras.

Várias teorias ou hipóteses estão circulando pela Internet (redes sociais e blogs, em especial) para tentar entender os motivos que levaram a Grande Mídia (Rede Globo à frente), Indústria brasileira (Fiesp/Firjan) e sistema financeiro (Bradesco) 

Entendo que o recuo da aliança existente entre a Mídia, o sistema financeiro e o setor industrial brasileiro (Globo/Mídia; Bradesco/Sistema Financeiro; Setor Industrial - Fiesp-Firjan) em relação ao Impeachment de Dilma se deu por uma soma de vários fatores, aos quais eu comentarei na sequência: 

1) Agravamento inevitável da crise econômica: Isso levaria o Brasil a perder o Grau de Investimento, gerando fuga de capitais, disparada do Dólar (chegando ou até passando de R$ 4), crescimento do endividamente das empresas com dívidas no exterior, aprofundamento da Recessão, que iria durar mais tempo (até o final de 2016). 

O editorial do 'O Globo' foi bem explícito quanto a estes riscos. 

Mas o que ele não disse é que o setor privado brasileiro deve US$ 208 bilhões no exterior. A disparada do dólar levaria a um brutal aumento do endividamento destas empresas com dívidas no exterior (o que inclui a Globo/Mídia e os Bancos... estes são os maiores devedodres), provocando a virtual insolvência (quebra) de muitas delas. 

Não se esqueçam de que, recentemente, a S&P já rebaixou a nota de inúmeras grandes empresas daqui do Brasil, incluindo a Globo, Bradesco, Itau, Santander, Banco do Brasil, Votorantim, Bovespa, BNDES, CEF, Banrisul, Ambev, CCR, CESP, Comgás, Eletrobrás, Itaipu, Net, Ultrapar, entre outras. 

Enfim, boa parte da nata, da elite empresarial brasileira teve as suas notas rebaixadas pela S & P, o que irá obrigá-las a pagar juros maiores por novos empréstimos no exterior, bem como a ter mais dificuldades para renová-los (ou pagar mais caro por essa renovação). 

Para mim, de fato, esse foi o aviso (ou ordem, como queiram interpretar) dado pelo sistema financeiro global de que já passou da hora de encerrar esse papo de Impeachment. 

Assim, entendo que a ordem para acabar com isso veio dos patrões lá de fora (EUA e UE, essencialmente). E a burguesia industrial, finaceira e midiática tupiniquim, que obedece aos seus patrões de forma bem disciplinada, acatou à mesma; 

2) Resistência da Presidenta Dilma aos ataques: A capacidade de Dilma de resistir à pancadaria midiática e oposicionista foi muito maior do que eles imaginavam. 

Com certeza, eles contavam com uma rendição rápida da nossa Presidenta à essa pancadaria toda que o seu governo sofre já há bastante tempo e que foi intensificada após  a sua vitória na eleição de 2014. 

Cotação do Dólar (nominal e real) entre 1995 até 2015 mostra que, com a desvalorização atual da moeda brasileira, esta voltou ao mesmo patamar de 2008. Logo, é mentira dizer que o Dólar se encontra no maior patamar dos últimos 12 anos. 
Mas a Presidenta Dilma, que resistiu brava e heroicamente a uma Ditadura Militar, não se rendeu, para a decepção dos golpistas. 

Esses boatos totalmente infundados sobre a sua 'renúncia' mostram claramente que era justamente isso que os golpistas esperavam dela. Imaginavam, talvez, que a ameaça de um processo de Impeachment iria fazer com que Dilma renunciasse à Presidência. Dilma decidiu resisti e pagou para ver. Venceu. 

E os golpistas quebraram a cara; 

3) Reação Popular ao Impeachment: Temos também o medo de uma reação popular contra o afastamento de uma Presidenta da República sem que tenhamos nenhuma base legal, jurídica, para se fazer isso. O nome disso é Golpe de Estado. 

Uma coisa é o povo estar descontente, nesmo momento, com o seu governo. Outra coisa, bem diferente, é derrubar uma Presidenta que acabou de ser reeleita e que possui total legitimidade para continuar governando.

Vários partidos políticos e movimentos sociais organizados deixaram claro que iriam resistir, promovendo manifestações populares por todo o país em defesa da manutenção e do respeito às regras do jogo democrático, que determinam que Dilma tem todo o direito de governar até o final de 2018, ainda mais que não há nada que possa justificar o seu afastamento da Presidência da República; 

4) Ajuste não é o suficiente; Oposição quer o Estado Mínimo: Dilma está fazendo, de forma mais moderada, o ajuste econômico reivindicado pelo mercado financeiro, sim, que visa reduzir a inflação, diminuir o déficit externo e o déficit público nominal, criando condições para uma futura retomada do crescimento econômico e estabilizar e reduzir a dívida pública líquida (que já caiu bastante desde o governo Lula). 

Mas mesmo que Dilma não sofresse pressão alguma neste sentido, o ajuste econômico teria que ser feito de qualquer maneira, pois a economia brasileira não resistiria muito tempo à manutenção do déficit externo (4,2% do PIB) e do déficit público nominal (6,6% do PIB) que tivemos em 2014. 

O governo FHC terminou de forma melancólica justamente porque enfrentou déficits imensos nos setores externo e público (tão ou mais elevados do que os de 2014) e foi incapaz de reduzí-los. 

Daí a tarefa de se promover o ajuste econômico ficou para o governo Lula, que realizou um draconiano ajuste entre 2003-2005. A diferença é que Lula realizou tal ajuste em um momento de rápido crescimento da economia e do comércio mundiais, situações essas que inexistem atualmente. 

Investimentos externos produtivos cresceram bastante no Brasil nos governos Lula e Dilma, mesmo sem a realização de privatizações. Somente no primeiro mandato de Dilma os investimentos externos produtivos somaram US$ 256 bilhões. 
A questão fundamental, no entanto, é que Dilma se recusa a fazer o 'Ajuste Principal', que é o de entregar as 'Jóias da Coroa' do país ao capital financeiro globalizado, ou seja, entregar a Petrobras e o Pré-Sal, bem como o BNDES, BB, CEF, etc. 

Essa é a grande meta dos golpistas e neoliberais. É isso que os patrões ianques e europeus da burguesia tupiniquim mais desejam. Eles querem as 'Jóias da Coroa', a fim de saquear as riquezas do país, com o objetivo de sair da crise econômica na qual mergulharam a partir de 2007-2008 e que ainda está muito longe de terminar. 

Vejam o caso da Grécia e da Zona do Euro, com um desemprego de 11,1% na região da moeda única no mês de Junho deste ano. Em toda a UE o desemprego é de 9,6%, totalizando 23,3 milhões de desempregados. 

E os EUA estão correndo o risco de mergulhar numa nova crise, como resultado da implosão de novas Bolhas  especulativas que se formaram em suas Bolsas de Valores nos últimos anos; Bolha especulativa da Bolsa de Xangai também está desmoronando). 

É como disse o Evo Morales, tempos atrás: Antes, os países ricos saiam das suas crises saqueando as riquezas dos paises em desenvolvimento. Agora, eles já não conseguem fazer mais isso, pois uma série de governos nacionalistas e reformistas passaram a controlar as riquezas nacionais (vide o Regime de Partilha do Pré-Sal que Lula adotou no Brasil; as nacionalizações feitas por Evo Morales e Hugo Chávez).

Lembram-se quando o Armínio Fraga (que seria o  ministro da Fazenda no governo Aécio, com a vitória deste) disse que não saberia o que iria sobrar dos bancos públicos? Seriam todos privatizados e desnacionalizados, é claro, tal como aconteceu com os sistemas de energia elétrica e de telecomunicações no governo FHC. 
Produção no pré-sal bate sucessivos recordes. Não é à toa que o capital financeiro global e as petroleiras estrangeiras querem se apossar da Petrobras e do pré-sal. No entanto, Lula, Dilma e o PT não permitem que isso aconteça, o que motiva muitos dos ataques contra eles. 
O que eles (capital financeiro global, neoliberais e golpistas) querem, mesmo, é desmantelar o Estado Brasileiro, reduzindo-o ao mínimo. 

Assim, nunca mais teremos condições de promover políticas soberanas de desenvolvimento econômico, social, industrial, científico e tecnológico e nos transformaremos numa gigantesca neocolônia dos EUA-UE.

5) Fortalecimento de Grupos de Extrema-Direita: Outra razão pela qual o Golpe falhou foi o fato de que as manifestações feitas contra o governo Dilma atraíram uma infindável legião de neofascistas e de reacionários de todos os matizes. Até integralistas ofendendo Montesquieu e grupelhos pedindo a invasão do Brasil pelos EUA nós tivemos, sem falar daqueles que pediam a intervenção das Forças Armadas, promovendo-se um Golpe de Estado no país. 

A crescente radicalização promovida por esses grupos neofascistas, com  certeza, deve ter deixado muitos setores oposicionistas preocupados. 

Afinal, quando os fascistas e nazistas chegam ao poder, mesmo os setores conservadores moderados acabam se transformando em suas vítimas. Hitler, que massacrou os partidos políticos liberais e conservadores (incluindo o partido da Igreja Católica) da Alemanha, que o diga. E tais partidos foram os mesmos que o conduziram ao poder, algo que os Nazistas, sozinhos, nunca conseguiram fazer. 

6) Golpe de Estado falhou 1: O Golpe de Estado contra Dilma falhou, sim, portanto, e em função de uma série de razões que já comentei aqui (resistência tenaz de Dilma, reação dos movimentos sociais, crescimento de grupos extremistas de direita, que representam uma ameaça até para os conservadores moderados, incapacidade de atrair o povo das periferias para manifestações exigindo o Impeachment de Dilma) e, finalmente, o rebaixamento das notas de 41 empresas e bancos brasileiras pela S&P, que representou, a meu ver, uma ordem direta vinda do capital financeiro global para acabar com essa história de Impeachment.

Afinal, jogar o Brasil numa crise econômica monumental em um momento no qual os EUA, a UE e a Zona do Euro ainda estão muito longe de se recuperar da crise econômica iniciada em 2007-2008 seria péssimo para os investidores europeus e dos EUA que aplicaram bilhões de euros e dólares na economia brasileira, seja no mercado financeiro ou no setor produtivo. Afinal, eles lucram muito por aqui, e tais lucros contribuem para manter a economia dos EUA e da UE em uma situação melhor. 
Manifestações contra o governo Dilma, realizadas neste ano, pediram intervenção militar, ou seja, um Golpe de Estado. E eles dizem que isso é 'pelo bem do Brasil'. 
Então, entendo que o fator decisivo para que a burguesia industrial, financeira e midiática ter abandonado a ideia do Impeachment de Dilma foi esse: Os patrões mandaram. E os colonizados obedeceram. 

7) Golpe de Estado falhou 2: Enfim, tudo indica que o Golpe falhou, sim. Mas é claro que isso não significa que Dilma, Lula e o PT serão poupados. Longe disso. A oposição continuará massacrando todos eles, mantendo-os na defensiva, para que cheguem devidamente enfraquecidos em 2018, a fim de que a oposição neoliberal, entreguista e golpista possa voltar a ganhar uma eleição presidencial, encerrando o ciclo do Lulismo no país. 

Se preparem, porque a pancadaria não irá parar. A luta continua!

8) Sangrando Dilma: O grande problema dessa estratégia de desgastar Dilma até 2018, ou de sangrá-la, como disse o Aloysio Nunes, é que até lá a economia brasileira tem tudo para superar as dificuldades atuais.

Grandes empresas (como a FIAT e a GM) continuarão investindo fortemente no Brasol nos próximos anos à toa? Claro que não. Elas contam com a recuperação da economia brasileira. Vejam o que os presidentes da General Motors da América do Sul e o presidente global da GM disseram:

"Estamos cientes da atual situação econômica do Brasil, mas acreditamos no país e na recuperação do mercado, que é fundamental para a GM", explica Jaime Ardila, presidente da General Motors América do Sul. "Já passamos por situações complicadas no Brasil e em outros lugares e nos saímos muito bem. É por isso que estamos apostando e investindo novamente por aqui", complementa Dan Ammann, presidente global da GM.".

Até o presidente do Bradesco, Luiz Trabuco, diz que o banco considera que teremos uma retomada econômica a partir do segundo semestre de 2016. E daí, até as eleições de 2018, teremos mais de dois anos consecutivos de crescimento. E nestas condições, as chances de Lula ou de um outro candidato governista vencer a eleição crescerão significativamente. 

A agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a nota de 41 empresas e bancos brasileiras. Tal fato demonstra a insatisfação do sistema financeiro global com a situação política e econômica do Brasil e que ficaria muito pior em função de um longo e desgastante processo de Impeachment contra a presidenta Dilma. 
9) A luta de classes continua: Portanto, os conflitos políticos e sociais no Brasil, também chamados de Lutas de Classes, não irão terminar. Mas tudo indica que o Golpe/Impeachment contra o governo Dilma fracassou. 

Links:

S&P reduz a nota de 41 empresas e bancos brasileiras:

http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/07/sp-reduz-perspectiva-de-nota-de-41-bancos-e-empresas-brasileiras.html

O que acontece se o Brasil perder o Grau de Investimento:

http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/07/o-que-acontece-se-o-brasil-perder-o-grau-de-investimento.html

Dilma diz que aguenta pressões e ameaças e que Democracia exige respeito à vontade popular:

http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2015/08/dilma-rebate-golpistas-sou-uma-pessoa-que-aguenta-pressao-que-aguenta-ameaca-3855.html

Brasil é o terceiro país mais atrativo para os investidores estrangeiros:

http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2015/08/brasil-e-o-terceiro-pais-mais-atrativo-para-investidores-estrangeiros-7517.html

Movimentos sindical e popular articulam atos contra Golpe de Estado:

http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2015/08/movimentos-sindical-e-sociais-articulam-atos-contra-golpe-2250.html

Desemprego na Zona de Euro é de 11,1%; UE tem 23,3 milhões de desempregados:

http://www.valor.com.br/internacional/4158452/taxa-de-desemprego-na-zona-do-euro-permanece-em-111-em-junho

EUA: Nova bolha especulativa poderá implodir nas Bolsas de Valores em breve:


João Roberto Marinho fica contra o Impeachment e diz que sucessor de Dilma deve ser escolhido apenas em 2018:


Paulo Nogueira: O que levou a Globo a mudar de atitude?


Luiz Trabuco: Crise política piora a situação da economia:


GM investirá R$ 13 bilhões no Brasil até 2019:


Fiat anuncia investimentos de R$ 17 bilhões no Brasil até 2018:


Evo Morales: Crise nos países ricos está relacionada ao fim das saques na América Latina:


Aloysio Nunes quer fazer Dilma sangrar:


Integralistas xingam Montesquieu e pede o fim da divisão dos poderes: 


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