sábado, 22 de agosto de 2015

Espanha: Pesquisa eleitoral mostra Centro-Esquerda e Esquerda com 47,2% das intenções de voto! - Marcos Doniseti!

Espanha: Pesquisa eleitoral mostra Centro-Esquerda e 
Esquerda com 47,2% das intenções de voto! - Marcos 
Doniseti!
Pedro Sanchez (PSOE) e Pablo Iglesias (Podemos)  poderão vir a se tornar os principais nomes de um futuro governo de Centro-Esquerda na Espanha a partir do final deste ano. Isso poderá representar o abandono das políticas de arrocho que empobreceram fortemente os espanhóis nos últimos anos. 
Dados da pesquisa eleitoral feita pelo Metroscopia, realizada no final de Julho e que foi publicada no site do jornal espanhol 'El País', mostrou os seguintes resultados:
PSOE 23,5% (23,0% em Junho);
PP 23,1% (24,5% em Junho);
Podemos 18,1% (21,5% em Junho); 
Ciudadanos 16% (13% em Junho);
Izquierda Unida 5,6% (4,1% em Junho);
UPyD 0,3% (0,4% em Junho).

Se somarmos as intenções de voto do PSOE (Centro-Esquerda), Podemos (Centro-Esquerda renovada) e Izquierda Unida (Esquerda) temos um total de 47,2% das intenções de voto da pesquisa de Julho (em Junho a soma chegava a 48,6%). Os três partidos são críticos das políticas neoliberais e de arrocho implantadas pelo governo do PP (direita neoliberal).
Já a soma das intenções de voto do PP, Ciudadanos e do UPyD (todos de direita neoliberal) chega a apenas a 39,4% (contra 37,5% em Junho).
Assim, existe uma grande chance de que a Espanha venha a ter, a partir de Novembro, um governo de Centro-Esquerda, desde que o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) e o Podemos cheguem a um acordo, pois a soma total deles atinge 41,6% das intenções de voto, superando os 39,4% dos votos dos partidos conservadores.
É bom lembrar que a situação econômica e social da Espanha é uma das piores de toda a União Europeia. A taxa de desemprego é de 22,4%, totalizando quase 4,2 milhões de desempregados. Entre os jovens a taxa de desemprego chega a 49,2%. A dívida pública espanhola é de 97,7% do PIB e o déficit público ficou em 5,8% do PIB em 2014. 
Trabalhadores espanhóis procurando por emprego. Entre os jovens a taxa de desemoprego chega 49,2%. 
E não se pode esquecer que na eleição anterior para o Parlamento espanhol, de 2011, os resultados foram totalmente diferentes destes que as pesquisas atuais mostram, com o PP sofrendo uma forte queda em relação às eleições realizadas há quatro anos. 
Naquela ocasião, o PP (Partido Popular) alcançou 44,6% dos votos (contra 23,1% na pesquisa de Julho) e o PSOE foi votado por 28,7% dos eleitores (tem 23,5% na pesquisa atual). 
Essa queda do PP e do PSOE aconteceu em função da criação de novas forças políticas na Espanha, que conquistaram votos que, anteriormente, eram destinados aos dois maiores partidos (PP e PSOE).
No segmento da Centro-Esquerda a novidade foi a criação do Podemos, que chega a 18% na pesquisa atual e que conquistou votos de muitos eleitores que, antigamente, votavam no PSOE.



Já no campo da direita, a novidade é o Ciudadanos, que tem 16% nas intenções de voto na pesquisa mais recente e, com certeza, obtém muitos votos de ex-eleitores do PP. 



Enquanto isso, a Izquierda Unida tem 5,6% das intenções de voto na pesquisa do Metroscopia de Julho, tendo conquistado 6,9% dos votos na eleição geral de 2011. 

Assim, algo que se pode concluir, com certeza, do atual cenário político espanhol é que a Centro-Esquerda/Esquerda (PSOE, Podemos, Izquierda Unida) é a favorita para vencer a eleição para o governo da Espanha e que será realizada em Novembro próximo. E outra conclusão é a de que, mesmo que seja o partido mais votado, o PSOE somente poderá formar um governo majoritário se fechar um acordo com o Podemos. 
Nos anos de 2006-2007 as taxas de Desemprego do Brasil e da Espanha eram muito próximas. Mas a partir de 2007 o rumo que elas tomaram foi totalmente diferente: O desemprego passou de 8,4% (2007) para 24,5% (2014) na Espanha e caiu de 8,1% (2007) para 5,2% (2014) no Brasil. É que enquanto a Espanha adotou uma política de arrocho (eliminação de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, arrocho salarial, etc) para combater os efeitos da crise mundial, os governos Lula e Dilma adotaram políticas anti-cíclicas keynesiasnas (aumento de salários, de investimentos públicos, redução de juros e impostos, etc) para estimular a economia. 

Para o PP, a tarefa de formar um governo de coalizão é muito mais difícil, pois a soma das suas intenções de voto e do Ciudadanos/UPYD é de apenas 39,4%. O PP teria que subir muito na preferência popular até Novembro, enquanto que os outros dois partidos de direita teriam que permanecer estáveis, para ter alguma chance de continuar governando a Espsanha. 

Em muitas regiões e cidades da Espanha, PSOE e Podemos já formaram governos de coalizão após a realização das eleições de Maio deste ano e isso poderá se repetir, agora, em termos nacionais. 

Com isso, aumentam as possibilidades de que as políticas de arrocho adotadas pelo governo do PP desde 2011 venham a ser abandonadas pelo próximo governo espanhol, possibilidade que poderá se tornar realidade desde que o mesmo venha a ser formado pelo PSOE-Podemos. 

Que assim seja. 


Links:

PSOE lidera pesquisa com 23,5%; PP tem 23,1%; Podemos tem 18,1% e Izquierda Unida chega a 5,6%:
Desemprego na Espanha chega a 22,4% em Julho de 2015:
Espanha: Indicadores econômicos, financeiros e sociais:

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