sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Porque a renúncia de Tsipras é péssima para a UE e ameaça as políticas de arrocho impostas aos gregos! - Marcos Doniseti!

Porque a renúncia de Tsipras é péssima para a UE e 
ameaça as políticas de arrocho impostas aos gregos! - 
Marcos Doniseti!
A renúncia de Tsipras poderá abrir caminho para a ascensão de um governo muito mais radical do que o do Syriza, que foi um governo reformista, moderado e de centro-esquerda, tipicamente keynesiano. Mas os medíocres neoliberais que comandam a UE, em nome dos interesses do sistema financeiro especulativo, asfixiaram e inviabilizaram o governo do Syriza, que já tinha recebido uma Grécia totalmente quebrada, com uma dívida pública de 175% do PIB (que até o FMI diz que é impagável) e com uma taxa de desemprego de 25,6%. 
1) Renúncia de Tsipras é um aviso para Merkel e aos neoliberais da UE: 'Comigo, vocês eram felizes e não sabiam!'.
2) Porque a renúncia de Tsipras é péssima para a UE e ameaça as políticas de arrocho impostas aos gregos!
O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, anunciou a sua renúncia e convocou eleições antecipadas, a fim de se eleger um novo Parlamento e, logo, formar um novo governo para o país. A data mais provável para a eleição é 20 de Setembro. 
Considero que ele agiu de maneira correta e por vários motivos:
1) Após assinar um acordo que lhe foi imposto goela abaixo pela União Europeia, algo que ele nunca desejou, surgiu uma nova situação política na Grécia.
Afinal, o Syriza foi eleito justamente para colocar fim a essas políticas de arrocho, que tanto sofrimento já provocaram ao povo grego nos últimos anos e que levaram o país à falência.
Com a renúncia de Tsipras existe uma grande chance de que o Unidade Popular (dissidentes radicais do Syriza), o Partido Comunista (KKE, ver imagem acima) e o Aurora Dourada (Neonazista), todos radicalmente anti-arrocho e anti-Zona do Euro, sejam os mais votados na próxima eleição para o Parlamento grego. Caso qualquer um destes 3 partidos vença a eleição para o Parlamento grego, Merkel e os dirigentes da UE irão descobrir, amargamente, que, com o Syriza governando a Grécia, eles eram felizes e não sabiam.
Mas ao não receber o apoio de qualquer outro país da União Europeia e ficar totalmente isolado nas negociações para tentar evitar a continuidade das políticas de arrocho, Tsipras acabou capitulando perante a UE.
2) A UE demonstrou que não tolera a adoção mesmo de políticas moderadas de centro-esquerda como aquelas que o Syriza tentou colocar em prática em seu governo, que previa a recuperação do poder de compra dos salários e das pensões; gastos sociais maiores em benefício dos mais pobres, aumento dos investimentos públicos para promover a retomada do crescimento econômico, etc;
3) É bom lembrar que a Grécia já era um país totalmente falido quando Tsipras venceu as eleições no final de Janeiro, herdando uma dívida pública de 175% do PIB e uma taxa de desemprego de 25,6%, depois de cinco longos anos de políticas de arrocho impostas pela Troika (BCE, UE, FMI). Logo, somente notórios desinformados ou malucos podem responsabilizar o Syriza pelo colapso da economia grega. Este colapso é anterior à vitória do Syriza;
Dívida Pública grega disparou após a adoção dos planos de arrocho impostos pela Troika, passando de 112,9% do PIB (2009) para 174,9% do PIB (2014). 
4) Convocando novas eleições, Tsipras abre o caminho para que um novo governo, que seja totalmente contrário a qualquer acordo com a UE, venha a ser eleito. A questão a saber é quem irá liderá-lo.
Neste sentido, existem várias possibilidades, como:
A) Ocorrer um grande crescimento do Partido Comunista Grego, que defende a saída da Grécia da Zona do Euro, levando-o à vitória;
B) O partido neonazista (Aurora Dourada) crescer ainda mais (já é o 3o. maior partido do país) e ganhar as eleições, resultando na saída da Grécia da Zona do Euro;
C) A criação de um novo partido de Esquerda, que deverá se chamar Unidade Popular, que será formado pelos setores mais esquerdistas do Syriza, e que também rejeita a adoção das políticas de arrocho recentemente acordadas entre Tsipras e a UE.
Assim, são imensas as chances de que os partidos políticos mais radicais (tanto de Direita, o neonazista Aurora Dourada, seja de Esquerda, o Comunista e o Unidade Popular) venham a se tornar os mais votados nas próximas eleições (que deverão ser realizadas no dia 20 de Setembro).
A agência de classificação de risco Moody's até já avisou (ou melhor, ameaçou) os gregos dizendo que as eleições antecipadas colocam em risco a continuidade deste terceiro plano de arrocho imposto pela UE à Grécia. E isso é a mais absoluta verdade, pois as chances de que o próximo governo grego venha a ser comandado por partidos muito mais radicais do que o Syriza são consideráveis.
Membros do Aurora Dourada, partido neonazista grego, que foi o terceiro mais votado na eleição de Janeiro de 2015 e que poderá crescer ainda mais com a imposição de um novo pacote de arrocho, que irá empobrecer ainda mais o povo grego. 
Com isso, o próximo governo grego poderá ser muito mais radical do que foi o do Syriza na rejeição às políticas de arrocho impostas pela UE. E isso poderá, inclusive, resultar na saída da Grécia da Zona do Euro.
Resta saber, apenas, qual partido irá liderar o próximo governo grego: Aurora Dourada (neonazista), Partido Comunista ou o Unidade Popular (dissidentes radicais do Syriza) .
Mas tudo indica que os partidos anti-Zona do Euro e anti-arrocho deverão ser, novamente, os mais votados.
Nestas circunstâncias, será praticamente inevitável que a Grécia venha a abandonar a Zona do Euro.
E com isso a chanceler alemã Angela Merkel e os líderes da UE, que impuseram as desumanas, ineficientes e cruéis políticas de arrocho aos gregos, e que arruinaram a Grécia nos últimos anos, irão descobrir que, na época do governo do Syriza (liderado por Tsipras), eles eram felizes e não sabiam.
Assim, ao apresentar a sua renúncia, Tsipras se vingou dos seus algozes, principalmente de Angela Merkel. 

Links:

Grécia terá eleições antecipadas após renúncia de Tsipras:

http://www.esquerda.net/artigo/grecia-vai-para-eleicoes-antecipadas-apos-renuncia-de-tsipras/38226

Ala de extrema-esquerda do Syriza rompe com o partido e cria uma nova legenda, a Unidade Popular:

http://www.redebrasilatual.com.br/mundo/2015/08/deputados-da-ala-de-extrema-esquerda-rompem-com-syriza-e-formam-novo-partido-na-grecia-4179.html

Nenhum comentário: