domingo, 4 de outubro de 2015

Portugal: Eleição tira a maioria absoluta do governo de Direita Neoliberal! Centro-Esquerda e Esquerda terão maioria dos deputados no Parlamento! - Marcos Doniseti!

Portugal: Eleição tira a maioria absoluta do governo de Direita Neoliberal! Centro-Esquerda e Esquerda terão maioria dos deputados no Parlamento! - Marcos Doniseti!
Antônio Costa, líder do PSP, declarou que o seu partido não irá inviabilizar o governo da Direita Neoliberal, mesmo com esta sendo minoritária no Parlamento. E também disse que somente faria alianças com outras forças de Esquerda se estas adotassem o programa do PSP, fechando as portas para se fazer qualquer acordo com as mesmas (Bloco de Esquerda e CDU, em especial). E ao mesmo tempo, o líder do PSP advertiu o governo de que este não possui mais a maioria absoluta no Parlamento, dando a entender que poderá se opor a determinadas medidas que o mesmo vier a adotar.
Eleição em Portugal, realizada hoje, tirou a maioria absoluta no Parlamento do governo da Direita Neoliberal (teve pouco menos de 39% dos votos), comandado peloa coligação PPD-PSD/CDS-PP.

Os partidos de Centro-Esquerda e de Esquerda passaram dos 52% dos votos, somando-se a votação do Partido Socialista, do Bloco de Esquerda​, da CDU (coligação entre Partido Comunista e os Verdes), do Livre/ Tempo de Avançar​ (novo partido de Esquerda que disputou a sua primeira eleição) e do PCTP (antiga e tradicional legenda maoísta).

Apurados 99,17% dos votos, a votação por legenda foi a seguinte:

Direita Neoliberal: 38,57%, dividida da seguinte maneira:

PPD-PSD/CDS-PP (Direita Neoliberal): 36,85%;
PPD-PSD (Direita Neoliberal): 1,51%;
CDS-PP: 0,14%;
CDS-PP-PPM: 0,07%.

Centro-Esquerda/Esquerda: 52,67%, dividida desta forma:

Partido Socialista: 32,38%;
Bloco de Esquerda: 10,21%;
CDU (Comunista+Verdes): 8,25%;
PCTP (Maoísta): 1,11%;
Livre/Tempo de Avançar: 0,72%. 

Assim, as forças de Esquerda/Centro-Esquerda atingiran uma votação que foi 13,65 p.p. maior do que a das forças conservadoras, da Direita Neoliberal. 
O Bloco de Esquerda, liderado por Catarina Martins, obteve o melhor resultado de sua história em eleições para o Parlamento português, superando os 10% dos votos. Junto com o CDU, PCTP e Livre, votação da Esquerda portuguesa chegou aos 20,3% dos votos. 
No entanto, é bom esclarecer que:

1) O governo atual (da Direita Neoliberal, liderado pelo PSD/CDS) tinha a maioria absoluta no Parlamento, mas agora ficou longe disso, pois caiu de 50% para 37% dos votos em relação à eleição anterior. Assim, o governo da Direita não teria, em teoria, condições de formar um governo majoritário e estável para o país. Mas o PSP poderá ajudá-lo neste sentido (ver item 4);

2) A Esquerda (Bloco de Esquerda e CDU) teve um crescimento expressivo nesta eleição, chegando aos 18,5% do votos. O maior crescimento foi do Bloco de Esquerda (passou de 5% para 10% dos votos), que defende a participação de Portugal na Zona do Euro, mas que é totalmente contrário às políticas de arrocho e de austeridade adotadas pelo governo neoliberal.

Suas posições o aproximam, na Europa, do Parti de Gauche (França, liderado por Jean-Luc Mélenchon), do Podemos (Espanha) e do Syriza (Grécia). São partidos que defendem a permanência de seus países na Zona do Euro, mas que são contrários às políticas de arrocho e de austeridade que resultam na eliminação de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários; 

3) Livre/Tempo de Avançar: É um partido novo da Esquerda portuguesa e as suas posições são muito parecidas com as do Bloco de Esquerda, da qual saíram vários dos seus líderes, mas que não elegeu nenhum deputado nesta eleição.
Divisão do Parlamento português após a realização da eleição do dia 04/10/2015. O número total de deputados é de 230, que ficou dividido assim (apurados 99,2% dos votos; faltam definir 9 vagas): PSD/CDS elegeram 102, PSP elegeu 83, Bloco de Esquerda elegeu 19, a CDU elegeu 16 e o PAN 1.  
4) Partido Socialista Português (PSP): Apesar do nome, é um partido que segue a linha da chamada 'Terceira Via', ou seja, é aquele típico partido que, antigamente, adotava políticas social-democratas, de defesa do Welfare State (Estado de Bem-Estar Social), mas que depois aderiu ao Neoliberalismo. E essa opção desgastou e enfraqueceu muito o PSP, tal como aconteceu com o Partido Trabalhista britânico (que adotou a chamada 'Terceira Via' após a vitória de Tony Blair). 

Com isso, ele teve uma votação muito menor do que aquelas que obtinha em seus tempos de glória, quando chegava, sozinho, a alcançar os 45% dos votos. Suas posições mais conservadoras o impedem de se aliar com o Bloco de Esquerda ou com o Livre/TDA e muito menos com a CDU. 

E existe uma grande chance de que o PSP não impeça, com os votos dos deputados que irá eleger (cerca de 80), a formação de um novo governo comandado pela coligação direitista PPD-PSD/CDS-PP, embora o seu atual líder, Antônio Costa, faça críticas às políticas de austeridade do atual governo.

Assim, a Direita Neoliberal tem grandes chances de continuar governando o país, mesmo sendo minoritária no Parlamento;

5) A CDU, coligação de Comunista e Verdes, tem no PCP (Partido Comunista Português) a sua principal força. O PCP é contra as políticas de austeridade e defende a saída de Portugal da Zona do Euro. É um partido mais intransigente, que não abre mão de seus princípios. Porém, nos últimos dias de campanha eleitoral vislumbrou a possibilidade de abrir um diálogo com o PSP e com o Bloco de Esquerda a fim de se formar um governo com um perfil mais progressista, possibilidade esta que foi rejeitada pelo líder do PSP, Antônio Costa. 
Taxa de desemprego em Portugal está em 12,4%. Entre os jovens ela supera os 31,8%. Em função disso, 485 mil pessoas emigraram entre 2011-2014. 
6) PCTP: Pequeno partido de Esquerda que segue a linha maoísta. É uma legenda mais radical. Chegou a ser criticada por ter defendido 'morte aos traidores da pátria' durante a campanha eleitoral. Obteve pouco mais de 1,1% dos votos na eleição. 

Então, o que acontece é que enquanto as legendas da Direita portuguesas estão unidas, os partidos da Esquerda//Centro-Esquerda estão fortemente divididos. 

E com isso, existe uma grande possibilidade que as atuais legendas conservadoras, de Direita Neoliberal, continuem governando Portugal, mesmo tendo sido derrotadas quando se leva em consideração que ficaram muito longe da maioria absoluta de votos, que foi alcançada na eleição de 2011, e que serão minoritárias no novo Parlamento.

Links:

Resultados das eleições para o Parlamento português:

http://www.legislativas2015.mai.gov.pt/index.html

Antônio Costa diz que não irá inviabilizar o governo da Direita Neoliberal, mas adverte governo que o mesmo ficou sem maioria absoluta:

http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=4815963

Bloco de Esquerda diz que PSD/CDS perdem o governo ao ficar sem a maioria absoluta no Parlamento, que tomará as decisões:

http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=4815623

Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda, diz que não irá viabilizar o governo da Direita:

http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=4815761

Jerónimo de Sousa, líder do CDU, afirma que não irá viabilizar governo minoritário da Direita:

http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=4815811

A dívida pública de Portugal disparou após o início da crise neoliberal global de 2008 e com a adoção das políticas de arrocho impostas pela Troika.
Bloco de Esquerda mais do que duplica o seu número de deputados:

http://economico.sapo.pt/noticias/bloco-de-esquerda-mais-que-duplica-deputados_230760.html

Antônio Costa diz que não irá inviabilizar governo da direita e que só viabiliza governo de Esquerda que adote políticas do PSP:

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