sábado, 23 de abril de 2016

Afinal, Jango tentou ou não resistir ao Golpe de 1964? - Marcos Doniseti!

Afinal, Jango tentou ou não resistir ao Golpe de 1964? - Marcos Doniseti!
Excelente livro de dois dos principais historiadores brasileiros, Jorge Ferreira e Angela de Castro Gomes, a respeito do governo Jango e do Golpe de 64.
Frequentemente leio comentários de inúmeras pessoas, nas redes sociais, dizendo que o então Presidente João Goulart não teria tentado resistir ao Golpe de 1964. 

Bem, acabei de ler um ótimo livro (cuja leitura eu recomendo), chamado '1964' (vide imagem), de dois dos principais historiadores brasileiros (Jorge Ferreira e Angela de Castro Gomes) e nele fica claro que Jango tentou organizar uma resistência, sim, contra o Golpe que começou em 31/03/1964 e que se consumou vitorioso no dia seguinte, o Dia da Mentira,  01/04/1964. 

Mas o Presidente João Goulart percebeu que, de fato, o rumo que os acontecimentos tomaram naqueles dois dias acabaram por inviabilizar que uma Resistência pudesse ser vitoriosa ou, ao menos, que ela pudesse impedir que o país passasse a ser controlado pelos golpistas: 

1) Além de ter o apoio do governo dos EUA, dos banqueiros, grandes industriais (Fiesp), latifundiários, classe média tradicional, da maioria da Igreja Católica (D.Paulo Evaristo Arns foi ao Rio de Janeiro, para abençoar as tropas de Mourão Filho) os golpistas tinham apoio majoritário das Forças Armadas, principalmente da média e alta oficialidade. 

Esta oficialidade desenvolveu um verdadeiro ódio pelas Esquerdas em geral (UNE, CGT, PCB, FMP,  Ligas Camponesas; Brizola, Arraes, Prestes, Francisco Julião e pelo próprio Jango) em função do fato de que os esquerdistas, de forma absolutamente irresponsável, estimulavam e respaldavam atos de rebelião dentro das Forças Armadas, por parte de sargentos e marinheiros, em especial. 
Amaury Kruel comandava o II Exército, sediado em Sao Paulo. Sua adesão ao Golpe representou um duro revés para Jango, que tentava resistir ao movimento golpista. 
Para esta oficialidade, as Esquerdas estavam agindo, deliberadamente, para quebrar a unidade das Forças Armadas, destruindo a hierarquia e a disciplina, dois dos alicerces sem os quais a própria existência das mesmas é impensável.

Até o momento do Golpe de 64, a imensa maioria da oficialidade das Forças Armadas era constituída de oficiais legalistas, defensores do respeito à Constituição. 

Foi por isso, por exemplo, que a imensa maioria desta oficialidade defendeu a posse de JK e Jango em 1955 e garantiu a mesma, em Janeiro de 1956. Foi também em função deste sentimento legalista majoritário que, em 1961, a mesma oficialidade, na sua imensa maioria, se colocou ao lado da posse de Jango na Presidência da República, após a renúncia de Jânio Quadros, mesmo com o veto dos ministros militares à posse deste. Centenas de oficiais das Forças Armadas foram presos, na época do Golpe de 1961, pelo fato de que defendiam a posse de João Goulart na Presidência da República, tal como determinava a Constituição que vigorava na época, que era a de 1946. 

Mas, em 1963-1964, as ações dos esquerdistas radicais em apoiar as mobilizações e rebeliões de sargentos e marinheiros, bem como a recusa de Jango em punir os mesmos por suas ações, jogaram essa oficialidade legalista nos braços dos golpistas.  
O general Olímpio Mourão Filho e o governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto, comemoram a vitória do Golpe que derrubou o governo democrático de João Goulart. O governador de São Paulo, Adhemar de Barros, foi outro importante líder civil do Golpe de 64. 
Logo, foram as ações políticas das Esquerdas Radicais que minaram o apoio militar ao governo Jango. E o fato de que este se recusou a punir aqueles que participavam destas rebeliões, convenceu a esta oficialidade de que o próprio Presidente da República estaria apoiando as rebeliões ou sendo conivente com as mesmas, o que não era verdade. De fato, Jango apenas seguia uma antiga tradição da política brasileira, que era a de sempre anistiar os envolvidos em rebeliões militares. 

Foi assim, por exemplo, que aconteceu com os envolvidos nas rebeliões de Jacareacanga (1956) e de Aragarças (1959), que foram tentativas golpistas de direita de tentar derrubar o governo de JK-Jango, mas que acabaram fracassando em função do fato de que tais rebeliões não tiveram nenhum apoio significativo dentro das Forças Armadas e na sociedade. 

Mas em 1964, o próprio ambiente de polarização e de radicalização política que envolveu o Brasil, desde 1961, inviabilizava a continuidade dessa política de se conceder anistia aos militares envolvidos em rebeliões. Mas isso é algo que somente ficou claro após a vitória do Golpe de 64, que contou com um apoio majoritário da oficialidade das Forças Armadas. 

Foi em função destas ações irresponsáveis das Esquerdas Radicais, de estimular a quebra da hierarquia e da disciplina dentro das Forças Armadas que, quando o Golpe começou, por ordem do governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto (31/03/1964), ordenando que Mourão Filho fosse com as suas tropas ao Rio de Janeiro, para depor Jango da Presidência da República, em pouco tempo a imensa maioria da oficialidade das Forças Armadas aderiu ao mesmo;
Comício da Central do Brasil, realizado em 13/03/1964, deveria ser o primeiro de uma série de grandes manifestações populares em defesa das 'Reformas de Base', defendida por Jango e pelo PTB desde os anos 1950. 
2) Foi somente quando se deu conta de que a imensa maioria das Forças Armadas e que os principais governadores (de SP, MG, RS, Guanabara) apoiavam o Golpe, e que o mesmo contaria com grande ajuda dos EUA (vide Operação Brother Sam), que Jango percebeu que a resistência seria inútil e que acabaria sendo facilmente derrotada. 

Jango se deu conta de que a maior parte da oficialidade das Forças Armadas havia aderido ao Golpe e que a resistência ao mesmo provocaria uma Guerra Civil e que, nesta, os EUA iriam ter um papel fundamental, intervindo fortemente no conflito brasileiro, em favor do movimento golpista, é claro. 

Tanto isso é verdade que, tão logo ficaram sabendo das movimentações das tropas de Mourão Filho, que iam em direção ao Rio de Janeiro para depor Jango, os EUA organizaram, às pressas, a 'Operação Brother Sam', que enviaria armas, munição e combustíveis aos golpistas brasileiros. 

Aliás, quem confirmou essa informação, a respeito da iminente intervenção dos EUA no Brasil, em favor dos golpistas, foi o virtual ministro das Relações Exteriores do governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto, Afonso Arinos de Mello Franco. Este avisou Santiago Dantas (ex-ministro e amigo de Jango) a respeito do fato, ou seja, de que os EUA iriam intervir em favor dos golpistas. Santiago Dantas, por sua vez, informou ao Presidente João Goulart. E tudo isso ocorreu já no dia 31/03/1964. 

Como já afirmei, num primeiro momento, a intervenção dos EUA se daria por meio do envio de armas, munição e combustíveis a favor do movimento golpista (vide a 'Operação Brother Sam'). Mas, num segundo momento, se os EUA entendessem que isso seria necessário, seriam enviados milhares de militares, soldados, para combater ao lado dos golpistas, contra o governo de João Goulart. 
O presidente João Goulart discursa no comício da Central do Brasil, realizado no Rio de Janeiro, no dia 13/03/1964, e que atraiu cerca de 300 mil pessoas. Jango recebeu ameaças de morte, mas decidiu participar do comício mesmo assim. 
Também não se pode esquecer que, nos anos anteriores, milhares de agentes secretos dos EUA já haviam se infiltrado no Brasil, usando de várias fachadas (entraram como se fossem estudantes, empresários, diplomatas, membros dos chamados 'Corpos da Paz' do governo Kennedy, etc) para disfarçar aquelas que seriam a sua verdadeira missão, ou seja, a de apoiar e de participar de um Golpe de Estado, ou até de uma Guerra Civil, que teria como objetivo promover a derrubada do governo João Goulart.

Após a vitória da Revolução Cubana, e da sua transformação em uma Revolução Socialista, o governo de John F. Kennedy ficou apavorado com a possibilidade de que outros países da região seguissem o exemplo da ilha de Fidel Castro e se tornassem Socialistas. 

Em função disso, evitar o surgimento de uma 'nova Cuba' passou a ser a principal prioridade do governo Kennedy para a América Latina. 

Jango percebeu que, em tal cenário, o Brasil corria o risco até de se fragmentar. Seria a nossa 'Guerra de Secessão', que resultaria na morte de centenas de milhares de pessoas e na divisão do país, acontecendo algo semelhante ao que ocorria na Coréia e no Vietnã, que se dividiram em dois países (Norte e Sul).

E também é bom lembrar que Jango era um político nacionalista e reformista, mas o mesmo nunca foi um revolucionário ou um extremista de esquerda, muito pelo contrário.
No início do governo Jango, este chegou a ter um ótimo relacionamento com John F Kennedy. Jango chegou a discursar ni Congresso dos EUA, onde defendeu as 'Reformas de Base' e, mesmo assim, foi muito aplaudido. Mas ao adotar uma política externa independente e se recusar a apoiar a política do governo dos EUA contra Cuba, Goulart virou alvo da fúria do Imperialismo ianque. Assim, nas eleições para o Congresso Nacional, que se realizaram em Outubro de 1962, o IBAD recebeu milhões de dólares do governo dos EUA e os repassou para candidatos direitistas e conservadores, para que lutassem contra as 'Reformas de Base' defendida pelo governo Jango. Mesmo assim, o PTB foi o partido que mais cresceu nas eleições, elegendo quase o mesmo número de deputados federais que o PSD, que contituiu a maior  bancada.
Jango era um político que acreditava que as 'Reformas de Base' deveriam ser feitas, sim, mas dentro das regras do regime democrático, respeitando-se a Constituição, o Congresso Nacional e os demais poderes da República. Tais mudanças seriam feitas por meio de acordos políticos, negociados entre todas as forças políticas e sociais do país. 

Tais reformas seriam mais moderadas do que as defendidas pelas Esquerdas Radicais, sim, mas ao menos elas seriam colocadas em prática, permitindo que se levasse adiante, dentro de um regime liberal-democrático, mudanças que iriam, progressivamente, modificando as estruturas da sociedade brasileira. 

É bom esclarecer que mesmo algumas das principais forças políticas mais conservadoras não eram contrárias às 'Reformas de Base', mas é claro que elas desejavam que as mesmas fossem mais moderadas e feitas de maneira mais lenta e gradual. Mas havia, sim, por exemplo, apoio à Reforma Agrária até mesmo dentro do PSD e da UDN. 

Logo, era possível, sim, negociar com as forças conservadoras a promoção das "Reformas de Base". E Jango sabia disso. 

Inclusive, as pesquisas feitas pelo Ibope, naquela época, mostravam que havia um grande e majoritário apoio, entre toda a população brasileira (mesmo entre a classe média e os mais ricos), às Reformas de Base (agrária, urbana, política-eleitoral, universitária, tributária). 

Mas estas pesquisas também mostravam que a imensa maioria dos brasileiros também desejava que tais 'Reformas de Base' fossem realizadas dentro das regras do jogo democrático, ou seja, concordavam inteiramente com a política de Jango que, aliás, era um Presidente muito popular. 

Aliás, pesquisa Ibope daquele período mostra que Jango, mesmo sem poder se candidatar, era o candidato preferido da população para vencer a eleição presidencial prevista para Novembro de 1965. Assim, mesmo que ele não pudesse se candidatar, o Presidente João Goulart seria um importante 'cabo eleitoral' naquela disputa. 
O 'Última Hora' mostra foto do comício da Central do Brasil. O jornal apoiava ostensivamente as 'Reformas de Base' e foi o único jornal que ficou contra  o Golpe de 64, o que o levou a pagar um alto preço por isso. 
Mas as Esquerdas Radicais do período, que controlavam as principais entidades ligadas aos movimentos sociais (CGT, UNE, FMP, PCB, Ligas Camponesas) e seus principais líderes (Brizola, Arraes, Prestes, Francisco Julião) eram favoráveis a uma estratégia de se promover as Reformas de Base 'na lei ou na marra'.

As Esquerdas Radicais chegavam até a defender o fechamento do Congresso Nacional e a eleição de uma Assembleia Constituinte, da qual as forças conservadoras seriam excluídas, para que se elaborasse uma nova Constituição para o Brasil, pois os esquerdistas radicais entendiam que a mesma inviabilizava a aprovação e implantação das 'Reformas de Base'. 

Brizola também já havia iniciado o processo de constituição de um novo partido político, essencialmente revolucionário, cujo embrião eram os 'Grupos dos Onze', que ele havia criado em 1963 e que estavam se espalhando pelo país inteiro. 

Leonel Brizola era o principal porta-voz das Esquerdas Radicais e vivia defendendo tais ideias publicamente, tendo feito isso, inclusive, no comício da Central do Brasil, no dia 13/03/1964. 

Assim, tínhamos um Presidente da República bastante popular, que defendia uma estratégia política, visando aprovar as 'Reformas de Base' de forma legal e democrática, mas que não dispunha de movimentos sociais organizados que dessem sustentação a tal política. 
JK, Brizola e Jango foram 3 dos principais e mais populares líderes políticos da época. Os três eram rivais, mas todos eles foram perseguidos pela Ditadura Civil-Militar. JK foi uma das vítimas da 'Operação Condor', conduzida de forma coordenada pelas ditaduras militares sul-americanas da época. Brizola e Jango também estavam na lista da morte desta operação.  
Simultaneamente, as Esquerdas Radicais dominavam os movimentos sociais e suas entidades representativas (UNE, CGT, FMP, Ligas Camponesas), mas não dispunham de apoio popular suficiente para levar adiante a sua estratégia de se promover as 'Reformas de Base' na lei ou na marra, promovendo o fechamento do Congresso Nacional e a sua substituição por uma Assembleia Constituinte exclusivamente formada por membros esquerdistas. 

Assim, enquanto Jango e as Esquerdas Radicais se digladiavam publicamente, as forças políticas e sociais mais conservadoras, tradicionalmente golpistas (vide os golpes que elas promoveram 1945, 1950, 1954, 1955, 1956, 1959 e 1961) foram, progressivamente, se unindo e, às vésperas do Golpe de 1964, elas se unificaram em torno da ideia de se derrubar Jango, mesmo que, para isso, tivessem que rasgar a Constituição e iniciar uma Guerra Civil no país. 

E no momento mesmo em que o Golpe aconteceu (dias 31/03/1964 e 01/04/1964), estes diferentes movimentos conspiratórios e golpistas, sendo que alguns deles já existiam há vários anos, desde o momento em que Jango tomou posse na Presidência da República (07/09/1961), surgiu a figura de um líder que unificou as diferentes facções golpistas, que foi a do General Castello Branco. Não foi à toa, portanto, que ele se tornou o primeiro ditador do novo regime ditatorial;
O Marechal Lott era um líder militar muito respeitado, sendo um intransigente defensor do respeito à Constituição. Sob a sua liderança, o Exército derrotou o golpe direitista de 1955 e garantiu a posse de JK e Jango, em Janeiro de 1956. Foi candidato a Presidente da República, em 1960, com o apoio das forças progressistas, mas acabou derrotado pelo furacão conservador e demagógico chamado Jânio Quadros, apoiada pelo UDN e que acabou renunciando em Agosto de 1961, com apenas 7 meses de mandato.
3) Em um primeiro momento, o Presidente João Goulart enviou tropas de elite para combater às tropas do general Olímpio Mourão Filho. Mas a adesão de Amaury Kruel, que comandava o II Exército em São Paulo, desequilibrou o cenário em favor dos golpistas. Foi depois disso que as tropas enviadas por Jango para combater as de Mourão Filho acabaram por aderir ao movimento golpista. 

Neste cenário totalmente desfavorável, Jango percebeu que os estados de SP-RJ-MG já eram territórios dominado pelos golpistas. Por isso, ele foi para Brasília, onde também constatou que tinha pouco apoio para poder resistir ao movimento golpista. Inclusive, o avião da FAB no qual ele pretendia viajar para o RS havia sido sabotado e Jango teve que usar um outro avião, bem mais lento. 

Chegando ao RS, Jango percebe que, mesmo ali (na terra natal do Trabalhismo Getulista do qual ele e Brizola eram os principais herdeiros políticos) a imensa maioria da oficialidade e das tropas já havia aderido ao Golpe quando chegou em Porto Alegre.

O general Ladário Teles, comandante do III Exército, foi claro quando (reunido com o Presidente João Goulart, Brizola e outros generais do III Exército) disse a Jango que a maioria das tropas do RS já havia aderido ao Golpe e que a vitória contra o movimento golpista dependia de um MILAGRE.

O uso da palavra MILAGRE, por parte de Ladário Teles, deixava claro que qualquer resistência seria inútil e que, naquele cenário, a mesma estava fadada ao fracasso;
A Marcha da Família com Deus pela Liberdade contribuiu fortemente para a vitória do Golpe de 64 e para a consolidação da Ditadura Civil-Militar. Outras Marchas do mesmo tipo realizaram-se nos meses seguintes à vitória do Golpe, em inúmeras cidades brasileiras, a fim de comemorar a vitória deste movimento golpista. A classe média conservadora era majoritária nestas manifestações direitistas.
4) O que inviabilizou uma resistência viável por parte do governo Jango foi, em grande parte, a traição de Amaury Kruel, que comandava o II Exército, sediado em SP. 

Hoje temos conhecimento de que Kruel foi subornado e que, em função disso, apoiou o Golpe contra seu amigo pessoal e compadre, o Presidente João Goulart. 

Sem o apoio de Kruel e do II Exército, a vitória do Golpe seria, no mínimo, incerta. O Golpe aconteceria, do mesmo jeito, mais cedo ou mais tarde, mas a sua vitória não seria inevitável. 

Caso Jango tivesse mantido o apoio do II e do III Exércitos, não teríamos tido um Golpe de Estado vitorioso em 1964. Neste cenário, as tropas do general Mourão Filho seriam facilmente derrotadas ou, até, retornariam para os quartéis sem combater. E os próprios EUA, com certeza, pensariam muito antes de iniciar uma intervenção militar no Brasil, pois não teriam forças militares dentro do país em condições de derrubar o governo de Jango;

5) Na época, ninguém imaginava, nem muitas das próprias lideranças golpistas (principalmente as lideranças civis, como os governadores Ademar de Barros (SP), Carlos Lacerda (Guanabara), Magalhães Pinto (MG) e  Ildo Meneghetti, do RS) que aquele Golpe de Estado iria resultar numa Ditadura Militar que iria durar 21 anos. 
Depois de 1945, Carlos Lacerda participou de inúmeros movimentos golpistas, a fim de impedir a posse ou de derrubar governantes eleitos democraticamente. Lacerda sonhava com a Presidência da República e apoiou o Golpe de 64 para se livrar dos seus maiores rivais (JK, Jango e Brizola), pensando que, assim, o caminho para a Presidência da República estaria livre. Mas ele se esqueceu de combinar isso com os militares... Quem mandou ele não ouvir o sábio ensinamento de Garrincha?
Acreditava-se que o militares ficariam algum tempo no poder, mas que devolveriam o controle do governo para os civis muito em breve o que, como se sabe, não aconteceu. 

Mas, na época, era essa a expectativa da imensa maioria dos líderes políticos brasileiros, mesmo dos golpistas.

Até porque, em 1945, os militares derrubaram Getúlio Vargas, encerrando a Ditadura do Estado Novo (1937-1945), à qual eles mesmo ajudaram a implantar e à qual sustentaram sem hesitar, e devolveram o poder aos civis. 

Em 1955, o Contra-Golpe dos Generais do Exército (ao qual o Marechal Lott aderiu e passou a liderar) também fez o mesmo. Lott e os generais derrubaram o golpista Café Filho e devolveram o poder aos civis, permitindo que JK e Jango tomassem posse do governo para o qual haviam sido eleitos, diretamente, pelo povo brasileiro. 

Então, havia uma tradição, no Brasil, naquela época, de termos uma intervenção militar temporária e que era seguida de rápida devolução do poder aos civis. 

Mas em 1964 isso não aconteceu, infelizmente. 

E em função disso, começou a Longa Noite dos Generais-Presidentes, Ditadores que passaram a ser escolhidos por uma espécie de 'Colégio Eleitoral' formado apenas pelos principais generais do Exército e aos quais o Congresso Nacional, castrado dos seus principais poderes, limitava-se a referendar. 
Até o momento imediatamente anterior ao estouro do movimento golpista, em 31/03/1964, este ainda não possuía uma liderança inconteste. Castello Branco assumiu esse posto no próprio momento em que o Golpe se desenvolvia. 
Então, não corresponde à verdade dos fatos dizer que o então Presidente João Goulart não tentou resistir ao Golpe de 64. 

Jango tentou, sim, organizar uma resistência, efetiva e com chances reais de vitória, mas quando se deu conta que a mesma seria inútil e fracassaria, ele optou por sair do país, evitando a Guerra Civil e a Secessão do Brasil, impedindo que este se transformasse em um gigantesco Vietnã. 

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