sexta-feira, 13 de maio de 2016

Temer: Para acabar com a crise, não podemos mais falar dela! E ele está certo! - Marcos Doniseti!

Temer: Para acabar com a crise, não podemos mais falar dela! E ele está certo! - Marcos Doniseti!
Temer sabe que a crise econômica brasileira atual foi fabricada e que o terrorismo midiático teve um papel fundamental na criação da mesma, na medida em que aterrorizar a população, para que esta deixasse de consumir, foi essencial para jogar o Brasil nesta situação. Logo, para sair da crise é preciso parar de falar na mesma.  
De certa maneira, o que Michel Temer afirmou está correto. 

Mas o que ele disse revela muito sobre a natureza da atual crise econômica brasileira que é, em grande parte, totalmente fabricada, tendo sido produzida para propiciar aquilo que vimos no dia 11/05/2016, ou seja, a derrubada do governo, legítimo e democrático, da presidenta Dilma, de forma ilegal e inconstitucional, caracterizando um Golpe de Estado descarado, e que foi, inclusive, denunciado por toda a imprensa internacional. 

Afinal, a crise econômica brasileira atual é, em grande parte, uma criação midiática.

E se a Grande Mídia parar de falar em crise, esta irá diminuir muito de intensidade e, até, poderá chegar ao fim rapidamente, desde que o seu governo não coloque tudo a perder com medidas econômicas estapafúrdias.

Afinal, como essa crise econômica começou? Simples: A Grande Mídia ficou, durante anos, o dia inteiro, todos os dias, dizendo que 'o Brasil está quebrado', 'o PT quebrou o Brasil' e outras mentiras monumentais.

Mas, esse terrorismo midiático fez com que a população brasileira, mesmo com dinheiro no bolso e emprego garantido (a taxa de desemprego de 2014 fechou em apenas 4,8%, a menor da história e o valor real do salário mínimo chegou ao seu maior nível desde 1965), ficou assustada com todo esse noticiário negativo e parou de consumir.

E com isso a economia brasileira entrou em recessão e o desemprego voltou a crescer.
'Der Spíegel', a principal revista alemã, criticou duramente o Golpe de Estado contra Dilma, que representa a falência do Brasil, que foi comparado com Honduras e Paraguai. 
Além desse interminável terrorismo midiático (mas que, agora, com a ascensão de Temer à Presidência, chegará ao fim, evidentemente), tivemos também os efeitos altamente negativos da operação Vaza Jato (digo... Lava Jato), que levou grandes construtoras à beira da falência, promovendo-se a paralisação de inúmeras obras pelo país inteiro (refinarias, construção naval, etc).

O resultado disso foi que as ações de Sérgio Moro e dos procuradores da Lava Jato tiraram o emprego de 1 milhão de trabalhadores apenas em 2015.

E a oposição golpista também passou, após a vitória de Dilma em 2014, a sabotar todos os planos do seu governo no Congresso Nacional, aprovando as famosas 'pautas-bomba' e, também, recusando-se a aprovar as medidas de ajuste econômico, como a aprovação da CPMF que, agora, deverá ser recriada pelos mesmos que a sabotaram durante o governo Dilma.

E os efeitos negativos da crise mundial, que começou em 2008 e que está muito longe de terminar, se intensificaram a partir do último trimestre de 2014, provocando uma nova e forte queda dos preços dos principais produtos de exportação do país (minério de ferro, suco de laranja, milho, etc). E é claro que essa piora do cenário econômico mundial também deu a sua contribuição para a piora do cenário econômico brasileiro em 2015, embora de uma forma bem menos intensa do que os fatores citados anteriormente.
Documento elaborado pelo PMDB em Outubro de 2015 defende a adoção de políticas neoliberais como sendo a solução para a crise econômica brasileira. Propostas do partido chegam a defender o fim de medidas que estão na Constituição desde 1988, cujo grande construtor foi Ulysses Guimarães, que a denominou de 'Constituição Cidadã'. 
Bem, agora que Dilma foi derrubada, 4 dos 5 principais fatores que provocaram a crise econômica deixarão de existir: 

1) O terrorismo midiático sobre a situação econômica do país chegará ao fim;

2) A operação Lava Jato deverá ser esvaziada (pois já cumpriu com a sua missão, que era derrubar Dilma);

3) Não teremos mais 'pautas-bomba aprovadas no Congresso Nacional;

4) O Congresso Nacional irá apoiar todas as medidas que o governo golpista de Temer irá tomar para combater a crise econômica, incluindo a recriação da CPMF.

Portanto, o que sobra, apenas, são os efeitos da crise internacional sobre a economia brasileira. Os demais fatores deixarão de existir, agora que Temer se tornou Presidente da República (interino) pois todos eles estavam relacionados a um único objetivo, que já foi atingido: derrubar Dilma.
Uma das primeiras medidas do governo de Michel Temer foi promover a suspensão de novas inscrições no programa de 'Bolsa Permanência', que se destina a beneficiar alunos de baixa renda que frequentam os IFES (Institutos Federais de Ensino Superior). 
Além disso, o ajuste que o Brasil precisaria fazer para criar as condições para a retomada do crescimento econômico já foi realizado em sua plenitude, durante o ano de 2015, ainda no governo Dilma:

1) A inflação já está despencando, como mostram todos os principais índices. Em 2016, ela já deverá ficar próximo do teto da meta, que é de 6,5%. E para 2017 já se prevê uma inflação em torno de 4,5% (o centro da meta); 

2) Com a forte queda da inflação em 2016, já existem as condições para o início da redução da taxa Selic, o que já é previsto pelo próprio mercado financeiro (vide o boletim Focus do Banco Central);

3) As contas externas já foram ajustadas. O déficit externo, em transações correntes, está desabando, tendo ficado em 2,39% do PIB nos últimos 12 meses (terminados em Março de 2016), contra cerca de 4,4% do PIB em 2014;

4) A desvalorização do Real criou as condições para o retorno de elevados superávits comerciais. Em 2015, o superávit foi de quase US$ 20 bilhões e em 2016 ele deverá ficar em torno de US$ 50 bilhões, segundo estimativas feitas pelos próprios exportadores (AEB). No acumulado deste ano, até o final da primeira semana de Maio, o superávit comercial já atingiu quase US$ 14,5 bilhões; 
Reservas internacionais líquidas do Brasil crescem fortemente nos governos Lula e Dilma. No dia 11/05/2016 elas estavam em US$ 376,3 bilhões, sendo a 6a. maior do mundo.  
5) O ajuste das tarifas públicas (de combustíveis e energia) já foi feito em 2015;

6) A seca, que atingiu fortemente o Sudeste e o Nordeste nos últimos anos, acabou, o que permitirá o desligamento (que já começou) das usinas termelétricas, que foram acionadas na época da seca para compensar a queda da geração de energia das hidrelétricas, pois a seca havia reduzido o nível dos reservatórios destas. 

E como o custo de geração das usinas termelétricas é muito maior do que o das hidrelétricas, as tarifas subiram muito nos últimos anos. Agora, com o desligamento das termelétricas, as tarifas voltarão a ser reduzidas.

Portanto, tudo isso demonstra que a crise foi fabricada, por fatores políticos, a fim de derrubar Dilma e, desta maneira, poder impor a agenda neoliberal e reacionária do Plano Temer e do PMDB, chamado ‘Tempo para o Futuro’.

Tal plano prevê medidas tipicamente neoliberais, como a retomada das privatizações desnacionalizantes (da Petrobras, BB, CEF, BNDES e do pré-sal), a redução dos investimentos públicos em educação e saúde, uma reforma previdenciária que criará a idade mínima e que irá reduzir o valor real dos benefícios, a eliminação de direitos sociais e trabalhistas, arrocho salarial (mesmo do salário mínimo).

Para que tudo isso seja feito, no entanto, será necessário se promover a criminalização e a repressão aos movimentos sociais, bem como a toda e qualquer oposição.
Em 2002 a Renda per Capita brasileira foi de US$ 2.810. Em 2014, ela já era de US$ 11.670, acumulando um crescimento de 315% durante os governos Lula e Dilma.  
É bom esclarecer que toda essa estratégia golpista que foi colocada em prática no Brasil nos últimos anos não é nenhuma novidade. Isso é algo já bastante antigo e já havia sido levada adiante em outros países anteriormente.

Naomi Klein, em seu livro ‘A Doutrina do Choque’, já mostrou como essa estratégia de se provocar crises econômicas e sociais terríveis, para derrubar governos progressistas e, assim, poder impor uma agenda neoliberal, foi colocada em prática em inúmeros países mundo afora (casos de Chile e Polônia, entre outros) nas últimas décadas. 

A população fica tão atemorizada com a crise, que acaba aceitando passivamente a mudança de governo ou a imposição por um governo neoliberal de uma agenda profundamente retrógrada, que beneficiará apenas ao Grande Capital e que irá aumentar brutalmente a concentração de renda, as desigualdades sociais, a pobreza e a miséria. 

Agora, o mesmo está sendo feito no Brasil, já há vários anos.

E grande parte da população brasileira, que acreditou que o movimento que tinha como principal objetivo derrubar a presidenta Dilma, desejava combater a corrupção já deve estar percebendo que foi enganada.

Afinal, o ministério de Michel Temer conta com 7 ministros que estão sendo investigados no âmbito da operação Lava Jato, enquanto que outros 10 respondem a outros processos e investigações na Justiça (envolvendo casos de nepotismo, improbidade administrativa, irregularidades em licitações, entre outros).
Livro 'A Doutrina do Choque', de Naomi Klein, explica como as crises são fabricadas para que, posteriormente, a população aceite passivamente a imposição de políticas neoliberais de ajuste econômico que prejudicam os trabalhadores, a classe média e os mais pobres e que beneficiam apenas ao Grande Capital.
Além disso, uma das medidas tomadas pelo novo governo de Temer foi o de extinguir a CGU (Controladoria-Geral da União), órgão que foi criado pelo Presidente Lula, em 2003, e que foi responsável por investigar e afastar alguns milhares de funcionários públicos federais envolvidos em irregularidades.

E até mesmo um dos principais procuradores da Operação Lava Jato, Carlos Fernando de Lima, reconheceu publicamente que os governos de Lula e Dilma fortaleceram e deram autonomia para a Polícia Federal e para o Ministério Público Federal realizarem investigações e operações de combate à corrupção, algo que não acontecia antes dos governos petistas. 

Portanto, deverá ficar cada vez mais claro, para uma parcela crescente da população, que o governo golpista de Temer possui uma agenda profundamente retrógrada e que o combate à corrupção e o noticiário negativo sobre a situação econômica do país foram apenas os pretextos usados para derrubar a presidenta Dilma. 

E o Golpe contra Dilma fica mais do que evidente porque nunca se fez qualquer acusação ou denúncia formal contra a Presidenta, caracterizando a sua derrubada como um caso clássico de Golpe de Estado, visto que um processo de Impeachment exige, para a sua aprovação, a comprovação da prática de crime de responsabilidade por parte do (a) Presidente (a), algo que jamais aconteceu no caso de Dilma.
Henrique Meirelles, o ministro da Fazenda do governo Temer, diz que países latino-americanos deveriam seguir o exemplo do governo de Mauricio Macri.  Entre Janeiro e Abril de 2016, a inflação na Argentina chegou a 19,2%, enquanto que no Brasil, no mesmo período, foi de apenas 3,25%. E aí, gostou? 
Tal fato, de que Dilma foi vítima de um Golpe, foi reconhecido por toda a imprensa internacional. Veículos de comunicação respeitados mundialmente (The New York Times, El País, Der Spiegel, Le Monde, Página/12, CNN, entre outros) apontaram o nítido e inegável caráter golpista do movimento que derrubou a presidenta Dilma, contra a qual não se fez qualquer acusação ou denúncia. 

A respeitada revista semanal alemã 'Der Spiegel' publicou que o Brasil se nivelou a países como Honduras e Paraguai, cujos presidentes (Manuel Zelaya e Fernando Lugo, respectivamente) também foram derrubados por meio de um Golpe de Estado. 

E esse Golpe foi levado adiante com o objetivo de impor, novamente, uma agenda neoliberal e reacionária ao Brasil e ao seu povo, mesmo que a população não tenha, jamais, escolhido  tal projeto nas eleições presidenciais de 2002, 2006, 2010 e 2014. De fato, em todas estas eleições, os candidatos que eram identificados com uma agenda neoliberal foram derrotados.

E já temos uma amostra do que teremos no Brasil, no governo Temer, quando vemos declarações de seus ministros, que dizem que irão promover uma guerra contra os movimentos de sem-terra, que irão os manifestantes oposicionistas como se fossem guerrilheiros. 

E mesmo a Grande Mídia trata de silenciar as vozes dissonantes existentes dentro dela. 
O poder de compra do Salário Mínimo teve um crescimento expressivo durante os governos Lula e Dilma. Mas, se depender de Temer, isso não irá mais acontecer. Em termos de cesta básica, o poder de compra do salário mínimo subiu 55,6% durante os governos Lula e Dilma.
Nestes últimos dias um jornalista da revista 'Exame' (Gilvan Felisberto), da Editora Abril, foi demitido pelo fato de que criticou afirmações preconceituosas contra os nordestinos que foram feitos pela esposa do presidente da empresa. 

Assim, o governo de Michel Temer nasce sob o signo da ilegitimidade, pois é fruto de um Golpe que foi aplicado contra a Democracia brasileira, e embora o mesmo vá conseguir, sem dúvida, obter o apoio das forças políticas, midiáticas e sociais mais reacionárias para impor o seu projeto retrógrado, o mesmo deverá enfrentar uma dura e crescente resistência popular.

E se as medidas previstas no ‘Tempo para o Futuro’ forem mesmo adotadas pelo governo golpista de Temer, poderemos até imaginar a possibilidade de que ele não venha conseguir, sequer, completar o seu mandato.

Afinal, grande parte da população brasileira apoiou o Golpe contra Dilma, pois a mesma foi convencida, pelo terrorismo midiático, de que a crise econômica era responsabilidade exclusiva do seu governo. E isso simplesmente não tem qualquer fundamento na realidade, como já demonstramos aqui.

Logo, é muito provável que venhamos a ter uma crescente frustração popular em relação ao governo golpista de Temer. E somando essa decepção com o caráter inegavelmente ilegítimo do seu governo e a crescente resistência organizada ao seu projeto neoliberal, o resultado de tudo isso poderá ser o fim precoce do mesmo. 

Que assim seja. 
Medido em litros de gasolina, o poder de compra do salário mínimo subiu 149% entre 2003 e 2016. 
Texto Adicional - Abaixo, publico texto que espalhei no Facebook a respeito de qual era a situação da economia brasileira no último dia do governo Dilma, 11/05/2016:

Só para constar: 

Hoje, 11 de Maio de 2016, dia da consumação do Golpe contra Dilma, temos os seguintes dados a respeito da economia brasileira:

1) As reservas internacionais líquidas do Brasil são de US$ 376,3 bilhões (eram de apenas US$ 16 bilhões em 2002).

Elas superam, com folga, toda a dívida externa do país, que é de US$ 333,6 bilhões.

Assim, o Brasil é credor externo líquido em US$ 42,7 bilhões;

2) O Brasil é credor do FMI;

3) A dívida pública líquida é de 38,9% do PIB (era de 60,4% do PIB em 2002);

4) Os investimentos externos produtivos (IED) no Brasil foram de US$ 78,9 bilhões nos últimos 12 meses (Abril 2015 a Março 2016), sendo equivalentes a 4,56% do PIB;

5) O Brasil tem o 7o. maior PIB mundial (era o 13o. em 2002);

6) A Renda per Capita é de US$ 10.000 (era de US$ 2.500 em 2002);

7) A taxa de inflação está despencando e deverá fechar, segundo o Banco Central, perto do teto da meta em 2016, ficando próxima de 6,5% no acumulado do ano. 

Para 2017, já se prevê uma taxa de inflação perto do centro da meta (de 4,5%);
Taxa Selic chegou a 45% ao ano em 1999. Atualmente, ela está em 14,25%. Com a queda da inflação prevista para 2016 e 2017, ela deverá começar a ser reduzida em breve, caso o governo Temer não bloqueie tal iniciativa, é claro. 
8) O salário mínimo é de R$ 880,00, equivalente a cerca de US$ 250 (era de US$ 55 em 2002);

9) O déficit externo, em transações correntes, está em 2,39% do PIB, no acumulado de 12 meses (terminado em Março de 2016), e continua caindo rapidamente;

10) O Superávit comercial foi de US$ 19,7 bilhões em 2015, já acumulou US$ 14,5 bilhões em 2016, sendo que estimativas apontam que o mesmo poderá chegar a US$ 50 bilhões neste ano.

Links:





Links:

Plano 'Tempo para o Futuro':


CGU expulsou 550 servidores federais em 2014:


Governo Temer: 7 dos 23 ministros são investigados pela Justiça:


Superávit comercial acumula quase US$ 14,5 bilhões em 2016:

O poder de compra do salário mínimo aumentou significativamente no Brasil entre 2003 e 2016, crescendo de R$ 200 para R$ 880. O reajuste acumulado foi de 340% durante os governos Lula e Dilma. Em dólares o valor subiu de US$ 55 (2002) para US$ 250 (aumento de 354.5%).  Enquanto isso, a taxa de desemprego desabou, passando de 12,5% em 2002 para 4,8% em 2014. 
Imprensa da Alemanha considera que Golpe significa derrota e falência do Brasil: 


Procurador da Lava Jato reconhece que governos do PT respeitaram autonomia das investigações contra a corrupção, o que não acontecia anteriormente:


Jornalista da Editora Abril é demitido após criticar afirmações preconceituosas contra nordestinos feitas por esposa de presidente da empresa:


Inflação: Taxa na Argentina chega a 19,2% em 2016, contra 3,25% no Brasil: 


Governo Temer: Prestações do Minha Casa Minha Vida irão subir até 237%:


Belluzzo: Governo Temer é ilegítimo e retrocesso custará caro ao país:


Conheça o programa econômico do Golpe dos 1% mais ricos:

Número de matrículas no ensino superior cresceu fortemente durante os governos Lula e Dilma, passando de 3,5 milhões (2002) para 7,3 milhões (2013), acumulando um crescimento de 108,6%. 
Plutocracia reduziu o Brasil a uma mistura de Honduras com Paraguai:


Henrique Meirelles elogia o governo Macri:

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