sábado, 25 de junho de 2016

Brexit: Macri, Temer, Hollande e a UE: Tudo a Ver! - Marcos Doniseti!

Brexit: Macri, Temer, Hollande e a UE: Tudo a Ver! - Marcos Doniseti!
Merkel impõe aos países membros da UE as políticas neoliberais e de arrocho que interessam ao grande capital financeiro, o alemão, em especial. Ela consegue, assim, manter todos os povos do bloco europeu na dependência da inexistente boa vontade germânica. Merkel consegue, assim, por meio do Euro, o que Hitler não alcançou promovendo guerras brutais.  
1) Quem diria que grande parte da Esquerda brasileira iria defender o atual projeto de integração da UE, que impõe, a todos os países membros do bloco, políticas neoliberais, privatizantes e de arrocho, por meio das quais eliminam-se direitos sociais, trabalhistas e previdenciários e promove-se a precarização do trabalho?;

2) Estas são as mesmas políticas que o governo FHC implantou e que o governo golpista e ilegítimo de Temer está querendo trazer de volta, no Brasil, e contra as quais lutamos diariamente. E são as mesmas políticas que o governo Macri está adotando na Argentina;

3) Para se comprovar isso, basta ver que enquanto Temer quer aprovar a terceirização generalizada, destruir a CLT e os programas sociais, o presidente da França, François Hollande (do Partido Socialista), quer aprovar uma reforma trabalhista que irá promover uma generalizada precarização do mercado de trabalho, aumentando jornadas de trabalho, reduzindo-a capacidade de mobilização e de luta dos sindicatos e das centrais sindicais, arrochando salários. 

Qual é a diferença, afinal, entre os governos Macri, Temer e Hollande quanto à natureza de suas políticas? Nenhuma. Todos eles são neoliberais, adotando políticas que são totalmente contrárias às necessidades e demandas dos trabalhadores e dos mais pobres e atendem, exclusivamente, aos interesses do capital financeiro;

4) Na Europa, as novas forças de Esquerda são bastante críticas do atual projeto da UE, que é neoliberal, excludente, elitista e retrógrado. Nenhuma destas novas forças é contra o processo de integração europeu. O que se faz é lutar por uma outra Europa;
Catarina Martins e Mariana Mortágua são duas das principais líderes do Bloco de Esquerda, que deseja construir uma outra Europa, voltada para beneficiar os cidadãos e não os banqueiros. 
5) Entre as novas forças da Esquerda europeia, nós temos o Bloco de Esquerda (Portugal), o Podemos (Espanha) e o Syriza (Grécia). 

Eles não são, ao contrário do que a Grande Mídia diz, radicais ou de extrema-esquerda. Isso é asneira, discurso feito por mentirosos ou desinformados. Seus programas são tipicamente Social-Democratas, de Centro-Esquerda, defendendo a reconstrução e manutenção de um Estado de Bem-Estar Social (Welfare State) na UE;

6) No caso do Brexit, quem votou pela saída do Reino Unido da UE foram os mais pobres, os trabalhadores de baixa renda, aposentados, que empobreceram ultimamente e que sentem prejudicados pelas políticas impostas pela UE;

7) O sistema financeiro e os banqueiros britânicos e europeus, queriam manter o Reino Unido na UE, pois o projeto desta atende aos seus interesses;

8) Na questão do Brexit e da crise da UE não se fala, praticamente, das políticas de arrocho neoliberal que a UE obriga todos os países a adotar. 

No governo de Tsipras/Syriza, a Grécia tentou mudar, abandonando tais políticas, e foi impedida pela UE, que agiu de forma extremamente autoritária em relaçao ao povo grego. 

Em resumo, a UE disse aos gregos: Se quiserem abandonar as políticas neoliberais e de arrocho, então vocês terão que sair da UE!;

9) Isso é Democracia? Isso é defender um projeto progressista? Que piada. Um projeto de integração que não permite a adoção de políticas alternativas, possui, inegavelmente, um caráter ditatorial;
Membros da CGT, central sindical francesa, protestam contra as políticas de arrocho e de austeridade que são impostas pela UE. Atualmente, a UE conta com 26 milhões de desempregados. Entre os jovens, o desemprego tornou-se um problema crônico, atingindo a taxa de 18,8% no bloco europeu.
10) Outro aspecto altamente negativo do atual processo de integração europeu é quanto ao fato de que quem o lidera, quem governa a UE, não ter sido eleito pelo povo. 

O historiador britânico marxista Eric Hobsbawm já dizia isso há muitos anos, ou seja, que as decisões de governo na UE eram cada vez mais tomadas por tecnocratas não eleitos pelo povo;

11) Enquanto isso, na UE, os dirigentes que o povo elege (parlamentares, presidentes e primeiros-ministros) perdiam seus poderes, transferindo-os aos tecnocratas do bloco;

12) O projeto atual da UE é anti-democrático, neoliberal, excludente, concentrador de renda e beneficia apenas ao capital financeiro;

13) Nos últimos anos, em especial após o estouro da crise mundial, em 2008, as políticas neoliberais e de arrocho foram intensificadas na UE, o que reduziu o padrão de vida da população: o valor dos salários e dos benefícios previdenciários foram reduzidos, impostos foram aumentados, novas privatizações foram realizadas. A UE enfrentou uma Grande Recessão. 

Com isso, a renda per capita diminuiu, as desigualdades sociais cresceram e o desemprego tornou-se um problema estrutural. Entre os jovens europeus, o desempregou tornou-se um problema crônico. 

14) Taxa de Desemprego entre jovens na UE: 

1) Grécia 50,4%; 
2) Espanha 45%; 
3) Croácia 39%; 
4) Itália 36,9%; 
5) Portugal: 29,9%; 
6) Chipre: 28,2%; 
7) Bélgica: 24,5%; 
8) Eslováquia: 24,2%; 
9) França: 23,5%; 
10) Finlândia: 22,2%; 
11) Romênia: 20,9%; 
12) Suécia: 18,4%; 
13) Bulgária: 17,4%; 
14) Polônia: 17,1%; 
15) Eslovênia: 16,6%; 
16) Irlanda: 15,3%; 
17) Letônia: 14,3%; 
18) Hungria: 14,2%; 
19) Lituânia: 13,8%; 
20) Luxemburgo: 13,8%; 
21) Reino Unido: 13,2%; 
22) Dinamarca: 11,6%; 
23) Estônia: 11,6%; 
24) Holanda: 11,1%; 
25) Áustria: 10,4%; 
26) República Tcheca: 9,5%; 
27) Malta: 8,9%; 
28) Alemanha: 7%. 

Em todo o bloco, a taxa de desemprego entre os jovens é de 18,8%;
Na Grécia, o PIB do país desabou cerca de 22% após a adoção das políticas de arrocho que foram impostas pela Troika (BCE, UE, FMI). A taxa de desemprego entre os jovens do país chega a espantosos 50,4%.
15) Por tudo isso é que há um cansaço generalizado na UE contra essas políticas impostas pelos banqueiros europeus, alemães, em especial;

16) E como quase toda a Esquerda europeia tradicional (socialistas, trabalhistas, social-democratas) aderiu ao Neoliberalismo puro e duro (chamando essa rendição ao Neoliberalismo de 'Terceira Via'), uma grande parte da população europeia buscou refúgio em outras forças políticas (de Direita, Extrema-Direita e também em uma Nova Esquerda), que passaram a condenar as políticas neoliberais e de arrocho; 

17) Em alguns países surgiram novas forças de Esquerda, como são os casos do Syriza (Grécia) Bloco de Esquerda (Portugal) e do Podemos (Espanha), Die Linke (Alemanha). 

No Reino Unido, o Partido Trabalhista britânico elegeu um social-democrata e centro-esquerdista autêntico, Jeremy Corbyn, para ser o seu novo líder, apontando para um abandono das políticas neoliberais da 'Terceira Via' que vigoraram na época de Tony Blair/Gordon Brown.

Tais forças são totalmente favoráveis à integração europeia, mas discordam do rumo que essa tomou a partir do momento em que a imposição de políticas neoliberais e de arrocho tornou-se obrigatória dentro do bloco europeu;
A forma arrogante com que a Alemanha e a UE trataram a Grécia, após a vitória do Syriza na eleição de 2015, mostrou que as demandas e necessidades da maioria dos europeus não são levadas em consideração pelos governantes do bloco. 
Na Itália, por sua vez, surgiu um movimento (M5S, Movimento 5 Estrelas) que se diz 'nem de Direita, nem de Esquerda', mas que cresceu muito nos últimos anos defendendo maior participação popular no governo, renovação da classe política e condenando as políticas neoliberais e de arrocho impostas pela UE. 

Recentemente, o M5S conquistou as prefeituras de Roma e Turim;

18) Podemos, Syriza, Bloco de Esquerda, entre outras forças desta Nova Esquerda europeia, defendem a integração europeia com base em ideias de justiça social e participação popular, tornando o projeto de integração europeu mais democrático, justo e transparente;

19) Esconde-se, também, que a UE não possui nenhum mecanismo ou instrumento por meio do qual a população possa participar das decisões. Os tecnocratas é que decidem tudo;

20) Não existe eleição direta (popular) para escolher o presidente da Comissão Europeia. 

Um nome é indicado pelo Conselho Europeu (que é integrado pelos Chefes de Estado ou de Governo dos países membros) e o Parlamento Europeu aprova o mesmo. 

A participação popular neste processo é nenhuma. 

É como se os governadores de estado indicassem alguém para ser o Presidente da República do Brasil e o mesmo fosse eleito pelo Congresso Nacional; 
A taxa de desemprego disparou na Espanha após o estouro da crise mundial, que começou em 2008, com a quebra do Lehman Brothers. 
21) O caso da Grécia, quando elegeu Tsipras/Syriza, foi bem didático. A UE deixou claro, ali, que qualquer país que desejar permanecer no bloco tem que adotar as políticas neoliberais, privatizantes e de arrocho. 

Tal atitude da UE deixou bem claro para a maioria dos europeus que o projeto atual de integração não atende aos seus interesses, mas apenas aos do sistema financeiro, principalmente dos banqueiros alemães;

22) Assim, a UE atual é, na prática, uma espécie de Ditadura das Finanças. Os banqueiros mandam e os demais abaixam a cabeça e obedecem;

23) É essa postura ditatorial dos atuais governantes da UE que está levando ao crescimento da Nova Esquerda e da Extrema-Direita em muitos países do bloco;

24) A saída do Reino Unido é bem esclarecedora: Os mais prejudicados com o atual projeto de integração (pobres, trabalhadores de menor renda e de baixa escolaridade, aposentados) foram justamente os que disseram 'Não' à UE; E os que mais se beneficiam com o processo de integração europeu (capital financeiro, pessoas de maior renda e escolaridade) votaram a favor da permanência do Reino Unido na UE;

25) Logo, o atual projeto da UE só beneficia as elites, aos mais ricos, principalmente ao capital financeiro. O 'povão', a massa trabalhadora, é imensamente prejudicado com esse projeto. 
Alberto Garzón, líder da tradicional 'Izquierda Unida', e Pablo Iglesias, líder do 'Podemos', nova força política progressista espanhola. Os dois movimentos se uniram para a eleição de Junho de 2016 e poderão vir a liderar a formação de um governo progressista que enterre as políticas neoliberais e de arrocho que são impostas pela UE.
26) A UE precisa mudar; 

27) E é exatamente isso que as novas forças da Esquerda europeia democrática e progressista (Podemos, Syriza, Bloco de Esquerda) defendem. 

Elas lutam não para destruir o projeto de integração europeu, mas para modificá-lo, tornando-o mais democrático, transparente, para que o mesmo passe a beneficiar a maioria da população e não apenas ao capital financeiro;

28) Ou a UE muda, tornando-se mais democrática e mais voltada para beneficiar a maioria da população,e não só aos banqueiros, ou ela irá acabar.

29) O que ninguém aguenta mais é a arrogância da UE, que trata os povos dos países membros como se eles fossem um monte de lixo. A insatisfação com a UE é generalizada e está espalhada por todos os países do bloco europeu. Ou a UE muda, ou ela acabará. 

30) A questão é: Será que os reais detentores do poder na UE, aqueles que controlam o capital financeiro, irão permitir que essa mudança venha a acontecer?

Se a resposta a essa questão for negativa, o futuro da UE é sombrio. Ela deverá caminhar para a desintegração. 

Infelizmente. 
Em 2015, Jeremy Corbyn tornou-se o novo líder do Partido Trabalhista, o que poderá conduzir o mesmo a adotar políticas e propostas mais progressistas, próximas das origens do partido, que foi o grande responsável por construir o Estado de Bem-Estar Social no Reino Unido do Pós-Guerra. 
Links:

Brexit é um passo forte no rumo da desagregação da UE:

http://www.esquerda.net/artigo/brexit-e-um-passo-forte-de-desagregacao-da-ue/43378

Francisco Louçã: União Europeia é um projeto fracassaddo:

https://www.publico.pt/mundo/noticia/e-a-uniao-europeia-e-um-projecto-falhado-1736179

Catarina Martins: Tem de haver outra Europa:

https://www.publico.pt/politica/noticia/catarina-martins-fala-do-falhanco-da-uniao-europeia-tem-de-haver-outra-europa-1736283

Marisa Matias critica a UE por ignorar necessidades dos cidadãos:

https://www.publico.pt/politica/noticia/marisa-matias-critica-ue-por-governar-nas-costas-dos-cidadaos-1736289

Mulheres lideram e renovam o Bloco de Esquerda:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2016/01/1732771-trinca-de-mulheres-reinventa-bloco-de-esquerda-na-politica-de-portugal.shtml

A UE aprendeu a lição? Tudo indica que não: 

https://www.publico.pt/mundo/noticia/1a-europa-aprendeu-a-licao-tudo-leva-a-crer-que-nao-1736282

Brexit: O terremoto de grande intensidade que a Europa há muito temia: 

https://www.publico.pt/mundo/noticia/brexit-o-sismo-de-grande-intensidade-que-a-europa-ha-muito-temia-1736264

Nenhum comentário: