sexta-feira, 24 de junho de 2016

Quem tirou o Reino Unido da União Europeia foi a classe trabalhadora, os mais pobres e os idosos! - Marcos Doniseti!

Quem tirou o Reino Unido da União Europeia foi a classe trabalhadora, os mais pobres e os idosos! - Marcos Doniseti!
A votação do referendo que tirou o Reino Unido da União Europeia dividiu a população do país: Entre os idosos, o apoio ao Brexit chegou a quase 70%. A população de menor renda, com menor escolaridade, que vive no interior do país e em áreas com grande número de imigrantes também votou, majoritariamente, pelo Brexit. Apoio pela permanência na UE foi muito forte entre os jovens (75%) e entre a população dos grandes centros urbanos, de maior renda e de maior escolaridade. Resumindo: O projeto europeu beneficia as elites. E este é o seu grande problema. 
Quem votou contra a permanência do Reino Unido na UE foram os trabalhadores de menor renda, de menor escolaridade, aposentados e pensionistas, trabalhadores que enfrentam a concorrência dos imigrantes pelos mesmos empregos, enfim, foi o povão, a classe trabalhadora.
O sistema financeiro e as elites endinheiradas é que defendiam a manutenção do Reino Unido na UE.
E é fácil de se entender isso porque o atual processo de integração europeia é, essencialmente, neoliberal, elitista e retrógrado. Ele não tem nada a ver com os seus objetivos originais, que foram concebidos pelos socialistas franceses, lá nos anos 1950, que eram consolidar a democracia, reduzir as diferenças entre países ricos e pobres, promover a justiça social e europeizar a Alemanha, integrando-a numa Europa desenvolvida e democrática.
Além disso, desde a criação do Euro que o processo de integração europeia adotou um caráter essencialmente neoliberal, elitista e retrógrado, ignorando-se totalmente os interesses da classe trabalhadora, dos idosos e dos mais pobres. 
Desde então, este processo de integração passou a ser liderado pela Alemanha, ou melhor, pelos banqueiros alemães, que subjugaram os demais países membros do bloco, a fim de saquear as suas riquezas e explorar a sua força de trabalho, barateando-a ao extremo.
Aliás, qualquer semelhança com o 'Plano Temer' (o 'Ponte para o Futuro') não é mera coincidência, não, ok?
Para se comprovar isso basta tomar conhecimento dos termos do 'acordo' que a UE impôs à Grécia, mesmo depois que o povo grego havia recusado as imposições da Troika (BCE, UE, FMI). Dizer que são draconianos é poucos. São 'merkelianos', mesmo.

Aliás, não é à toa que tivemos uma forte votação anti-UE nas áreas que, antigamente, votavam maciçamente no Partido Trabalhista, ou seja, entre os trabalhadores de menor renda. 
E não é nada espantoso que numa era de crise econômica mundial, que começou em 2008 e que está muito longe de terminar (o FMI já a denominou de 'Grande Recessão'), os povos sempre se voltam para dentro do seu próprio país, fechando mercados e fronteiras.
Isso aconteceu na época da Grande Depressão. E ocorre o mesmo, agora, na época da Grande Recessão.
Surpreendente seria se isso não estivesse acontecendo.

Links:
Antigos bastiões do Partido Trabalhista deram forte apoio à saída da UE:


Brexit: Análise do perfil do eleitorado que votou pela saída ou permanência do eleitorado: 
Francisco Louçã: Projeto da União Europeia fracassou!

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