quinta-feira, 28 de julho de 2016

Será que Trump irá enterrar a Globalização Neoliberal? Se fizer o que promete, sim! - Marcos Doniseti!

Será que Trump irá enterrar a Globalização Neoliberal? Se fizer o que promete, sim! - Marcos Doniseti!
E aí, Trump, você irá enterrar a Globalização Neoliberal? 
Michael Moore escreveu um texto fantástico explicando porque Trump deverá ganhar a eleição para Presidente dos EUA (ver link abaixo). Neste texto, ele dá e explica os cinco motivos pelos quais Trump é o favorito para vencer a eleição presidencial em Novembro próximo. 

Agora, questiono: Afinal, porque isso poderá vir a acontecer? E qual será o impacto disso? Como é que alguém com declarações e posturas tão retrógradas quanto Trump possui tantas chances, assim, de se tornar o presidente da Nação mais poderosa da Terra? O que aconteceu para que os EUA chegassem a essa situação? 

Afinal, como é de conhecimento público, Trump nunca foi o candidato preferido da cúpula do Partido Republicano. Esta preferia, mil vezes, a candidatura de Ted Cruz, que acabou sendo derrotado por Trump na disputa interna. 

Bem, e para começo de conversa, com uma possível, e bastante provável, vitória de Donald Trump, o mundo pode dizer adeus ao Livre-Comércio e ao Mercado Desregulado, bem como a inúmeras outras asneiras neoliberais que aumentaram a concentração de renda, as desigualdades sociais, a pobreza e a miséria no mundo todo. 

Essa história de permitir a livre circulação de produtos, serviços e, na prática, também de livre circulação de mão-de-obra destruiu a capacidade de luta dos trabalhadores dos EUA e União Europeia de resistir às políticas neoliberais, que promoveram arrocho salarial e redução drástica de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários. Afinal, ficou fácil para demitir trabalhadores que desejam ganhar mais e ter mais benefícios e trocá-los por outros que não pedem nada disso. 
Reagan e Thatcher: De quem será que eles estão rindo? Deve ser dos trabalhadores dos quais eles retiraram inúmeros direitos, inclusive o de sindicalização, impedindo que os mesmos pudessem se mobilizar e se organizar para defender os seus interesses. 
Qualquer pessoa bem informada sabe que quanto maior for o exército de reserva de mão-de-obra, menos força terão os trabalhadores para reivindicar melhores salários, condições de trabalho mais dignas ou mesmo ampliação e ou manutenção dos seus direitos (sociais, trabalhistas e previdenciários).

Como parte destas políticas, também tivemos a adoção da terceirização generalizada, da flexibilização trabalhista, do trabalho temporário e de meio período, bem como da transferência de empresas (e, logo, de empregos) para inúmeros países onde o custo de produção e (de mão-de-obra), como são os casos de México, China, entre outros. 

E tais políticas neoliberais e de arrocho, que são típicas da Era da Globalização Neoliberal, destruíram o padrão de vida da classe média e dos trabalhadores industriais, que representavam os segmentos sociais que mais foram beneficiados pela existência do Welfare State que foi construído na Europa Ocidental, EUA e no Canadá no Pós-Guerra.

Esse Welfare State é o que garantia a segurança de uma vida boa, do berço ao túmulo, para uma grande maioria da população da Europa Ocidental e dos EUA/Canadá.

Com a imposição destas políticas, tivemos o início de um processo de encolhimento e de empobrecimento da classe média nos EUA e na Europa Ocidental. A classe média está encolhendo e empobrecendo a cada década que passa, sendo que a sua renda, nos EUA (a maior e mais rica economia do mundo) é, hoje, 7% menor do que era em 1999 (17 anos atrás).
O excelente livro de Guy Standing explica como a Globalização Neoliberal gerou uma nova classe social em formação, que é o Precariado. Este vive de baixos salários, cumpre jornadas de trabalho maiores do que deveriam (sem receber por isso), vivem de em função de empregos terceirizados, temporários ou de curta duração, não tem chance alguma de ascender profissional ou socialmente e que já representam uma parcela significativa da força de trabalho dos EUA, Reino Unido, Itália, Espanha e de muitos outros países desenvolvidos. 
Os empregos dos trabalhadores industriais, principalmente dos mais qualificados, melhor remunerados e melhor organizados em sindicatos, foram devastados. A maior parte destes empregos industriais foram transferidos para o México, China, entre outros países, em busca de baixos custos de produção e de mão-de-obra, bem como de lucros maiores.

Com tudo isso, quase todos os direitos sociais, trabalhistas e previdenciários foram aniquilados.

Os sindicatos também foram destruídos. O nível de sindicalização desabou na Europa e nos EUA.

Nos EUA, antes do governo Reagan, o índice de sindicalização era muito maior, bem como a capacidade de luta e de resistência dos trabalhadores.
Até mesmo na Alemanha, quarta maior economia do mundo e a maior da Europa, possui um grande número de empregos precários, de baixos salários, e que totalizam cerca de 20% do total. Eles foram criados como resultado de uma reforma trabalhista promovida pelo governo de Gerhard Schroder, ex-chanceler alemão entre 1998 e 2005. Com isso, os empregos precários e de baixos salários tornaram-se comuns na Alemanha e as desigualdades sociais também aumentaram bastante no país. 

Pinochet, Reagan e Thatcher ensinaram como fazer isso, ou seja, destruir as entidades representativas dos trabalhadores. 
O chanceler da Alemanha (1998-2005) Gerhard Schroeder promoveu uma reforma trabalhista no país que permitiu a criação de empregos precários, chamados de 'minijobs', que pagam baixos salários. Cerca de 20% dos empregos do país estão nessa categoria. Foi somente assim, criando empregos precários, que a Alemanha conseguiu reduzir a sua taxa de desemprego, que era uma das maiores da Europa. 
Obs: E agora, Michel Temer quer fazer o mesmo no Brasil, sendo que a Câmara dos Deputados já aprovou (em 2015) o PL 4330, que legaliza a terceirização em todas as atividades econômicas privadas. O projeto está no Senado e deverá ser votado e aprovado após o afastamento definitivo de Dilma da Presidência da República. O ministro do trabalho do governo Temer já anunciou que irá enviar várias propostas ao Congresso Nacional, até o final deste ano, para destruir os direitos trabalhistas. Tal 'reforma' promoverá o aumento da jornada de trabalho e a redução de salários. 

Tudo isso gerou a formação de uma nova classe social, o Precariado, que é a mais numerosa, atualmente, em muitos países desenvolvidos ou que, então, é aquela que cresce mais rapidamente nestes países.

Obs: Sugiro que leiam o livro de Guy Standing - 'O Precariado' - que explica tudo a respeito disso.

Assim, com a queda da sua renda e a perda de seus direitos e benefícios, para continuar consumindo como nunca, a classe média tem que apelar para o endividamento irresponsável e para a especulação financeira.

E todas essas mudanças pioraram sensivelmente as condições de vida da classe média e dos trabalhadores no mundo todo. E agora eles estão colocando a raiva e a frustração acumuladas durante todo esse tempo para fora, votando pela saída do Reino Unido da UE.

Vejam que quem tirou os britânicos da UE foram os aposentados e os mais pobres, ou seja, justamente os grupos sociais mais prejudicados pela Globalização Neoliberal. Coincidência? Claro que não.
Guy Standing alerta que o Precariado pode vir a ser uma presa fácil para novas variações do Fascismo, como aquela que é liderada por Donald Trump. 
Nos países onde ainda existe, ou surgiram, forças progressistas de Esquerda Democrática (Espanha, com o ‘Podemos’; Portugal, com o ‘Bloco de Esquerda’; ‘Syriza’, na Grécia) ainda foi possível evitar o crescimento expressivo da Extrema-Direita.

Tais movimentos/partidos absorveram a grande maioria dos votos dos inconformados e insatisfeitos com a imposição das políticas neoliberais e de arrocho, as quais eles desejam enterrar em caráter definitivo. Com isso, nestes países, a extrema-direita ou é quase inexistente ou é uma força política que atrai um número muito reduzido de seguidores. 

Mas naqueles países onde as tradicionais forças progressistas se renderam ao Neoliberalismo (PSOE, na Espanha; Partido Trabalhista, no Reino Unido; Partido Socialista, na França; Partido Democrata, nos EUA), adotando a famigerada 'Terceira Via' (de Tony Blair, Clinton, entre outros) e não sugiram novas forças progressistas fortes o suficiente para lutar contra as políticas neoliberais e de arrocho, quem ganhou espaço com a crise da globalização neoliberal foi a Extrema-Direita.

Isso aconteceu na França e em muitos outros países desenvolvidos (Holanda, Dinamarca, Áustria, Reino Unido, entre outros).

E agora esse fenômeno chegou aos EUA, onde o Partido Democrata (tal como diz o Michael Moore em seu texto) também virou as costas aos trabalhadores industriais e se rendeu ao neoliberalismo, preferindo adotar políticas que beneficiam Wall Street. 

Não foi à toa, por exemplo, que os governos de Bill Clinton e de Barack Obama nomearam pessoas originárias de Wall Street para comandar a economia dos EUA (comandando o Departamento do Tesouro, por exemplo) e que Tony Blair concedeu independência ao Banco Central, entregando-o controle do mesmo ao capital financeiro (nos EUA isso nem é necessário, pois o FED sempre foi - e ainda é - uma entidade privada).
A Geração do Precariado já está nas ruas, protestando contra a exploração brutal a que é submetida. E ela também vota... 
Todos estes fenômenos recentes representam, claramente, a crise final dessas políticas neoliberais e de arrocho que promoveram a generalização do trabalho precário, o aumento das desigualdades, da pobreza e da miséria no mundo desenvolvido.

A crise atual, da qual a saída do Reino Unido da UE e a ascensão da Extrema-Direita na União Europeia e de um Donald Trump nos EUA são os sintomas mais evidentes, é claramente fruto da imposição de políticas neoliberais e de arrocho e do desmonte do Welfare State, que aumentaram a pobreza e a miséria e criaram uma nova classe social, o Precariado, que ganha pouco, trabalha muito, não tem nenhuma segurança no emprego, vive de trabalhos temporários ou de curto período e que não tem nenhuma possibilidade de ascender social e economicamente. 

E até mesmo quando estes trabalhadores, que são membros do Precariado, ficam desempregados eles passaram a contar, agora, com muito menos direitos e benefícios do que possuíam antigamente. O valor do seguro desemprego diminuiu bastante, bem como o período de tempo durante ele recebe o benefício, além de ser obrigado qualquer emprego que lhe seja oferecido, por pior que seja, pois caso contrário perderá o direito ao seguro. 

Com a imposição destas políticas, os governos viraram as costas para a imensa maioria da população, principalmente para a classe média e para os trabalhadores industriais, e fizeram tudo o que o capital financeiro globalizado desejava.

E é interessante notar que, agora, essa crise se manifesta, com mais intensidade, justamente nos dois países que foram os pioneiros na adoção das políticas neoliberais e de arrocho e que espalharam as mesmas pelo mundo todo, que são os EUA e o Reino Unido.
O sociólogo brasileiro Ruy Braga é outro autor que produz importantes trabalhos a respeito do Precariado, como é o caso deste livro. 
Foi a partir dos governos Reagan (EUA) e Thatcher (Reino Unido) que estes dois países usaram do FMI e do Banco Mundial, bem como do seu poderio econômico, financeiro, diplomático e militar, para impor as políticas neoliberais e de arrocho a todos os países emergentes (América Latina), bem como aos países do antigo bloco soviético europeu.

Assim, por exemplo, quando um país pedia algum empréstimo junto ao FMI e ao Banco Mundial, o mesmo somente era liberado caso os governos destes países promovessem políticas de privatização, liberalização de capitais, de arrocho salarial, cortes drásticos de investimentos públicos e sociais, abertura unilateral de suas economias para investimentos, produtos e serviços importados.

Recentemente, o próprio FMI reconheceu que as políticas neoliberais aumentaram a concentração de renda e as desigualdades sociais. 

Assim, foram Margaret Thatcher e Ronald Reagan que deram início, promoveram e espalharam pelo mundo inteiro essa 'Contra Revolução Neoliberal'.

E agora tudo aponta para o fato de que essas políticas se esgotaram, mesmo nos dois países que lideraram essa 'Internacional Neoliberal', na qual o FMI e o Banco Mundial exerceram a função do Comintern, ou seja, de instrumentos que foram usados para exportar essa 'Contra Revolução Neoliberal'.

No entanto, a crise atual da Globalização Neoliberal. demonstra, claramente, que Era Reagan/Thatcher chegou ao fim.
O movimento/partido espanhol 'Podemos' conquistou cerca de 20% dos votos nas recentes eleições para o Parlamento do país. Na Espanha, a taxa de desemprego entre os jovens é de 45%. Logo, eles fazem parte do 'Precariado', que reúne também trabalhadores desempregados.  
Inegavelmente, a Globalização Neoliberal está desmoronando no mundo inteiro. A população de um número cada vez maior de países, principalmente nos mais desenvolvidos, está cansada dessas políticas.

Mais do que cansada e insatisfeita, um número crescente de pessoas nos EUA e na União Europeia está com muita raiva dessas políticas. Porém, isso não é nenhuma surpresa. Surpreendente seria se isso não estivesse acontecendo.

Na União Europeia, a imposição de políticas neoliberais e de arrocho geram uma insatisfação crescente por parta da população de todos os países, o que está na raiz, por exemplo, da saída do Reino Unido da UE, que ocorreu em função da votação maciça no 'Não' por parte de aposentados e trabalhadores de menor renda, aos quais as políticas neoliberais e de arrocho impostas pela UE prejudicaram imensamente. 

Afinal, quem mandou promover a precarização do trabalho no mundo todo? Quem mandou arrochar salários, destruir os sindicatos, eliminar direitos sociais, trabalhistas e previdenciários? 

Quem mandou criar uma nova classe social, o Precariado, que trabalha muito, ou que fica desempregado em situação precária durante um longo período de tempo, que ganha pouco e que não tem mais segurança alguma no seu trabalho, pois o seu emprego pode vir a ser eliminado a qualquer momento, em função de algum processo de terceirização ou de transferência das suas atividades para algum país que possui um custo de produção muito menor?
Há algo de podre no reino da Globalização Neoliberal: O Reino Unido votou a favor da saída da UE, mesmo tendo sido um dos países que mais se beneficiou com a expansão do Neoliberalismo pelo mundo, Mas as camadas populares, trabalhadores de baixa renda e aposentados, votaram maciçamente pela saída do bloco europeu. 
Quem fez tudo isso foi a Globalização Neoliberal, a mesma que, agora, está implodindo e desmoronando no mundo todo.

As políticas neoliberais e de arrocho desmantelaram (ou o encolheram drasticamente), em grande parte, ao Estado de Bem-Estar Social.

E foi esse 'Welfare State', que foi construído no Pós-Guerra, que criou essa vasta classe média e essa imensa camada de trabalhadores industriais qualificados e bem remunerados. E essas classes sociais estão diminuindo de tamanho e ficando cada vez mais pobre, em todos os países desenvolvidos.

O historiador britânico Tony Judt comprova, em seu livro 'Pós-Guerra: Uma história da Europa desde 1945', que os segmentos sociais que mais se beneficiaram com a criação do ‘Welfare State’ foram justamente a classe média e os trabalhadores industriais qualificados.
Em seu excepcional livro 'Pós-Guerra: Uma História da Europa desde 1945'. o historiador britânico Tony Judt mostra que a classe média foi a mais beneficiada pela construção do Estado de Bem-Estar Social no Pós-Guerra. 
E esse ‘Welfare State’ foi desmantelado, quase que integralmente, nos países desenvolvidos. Então, nada mais natural que estes segmentos da sociedade (classe média e trabalhadores industriais qualificados) venham a ser os mais prejudicados quando o 'Welfare State' é destruído. 

O fato concreto é que ninguém aguenta mais as políticas neoliberais e de arrocho.

A saída do Reino Unido da UE, a ascensão da Extrema-Direita (Frente Nacional, na França; Partido da Liberdade, na Áustria; etc) e de forças progressistas de Esquerda democrática na UE (Podemos, Syriza, Bloco de Esquerda, Jeremy Corbyn) comprovam isso.

E Donald Trump ataca justamente tais políticas, que levaram os melhores empregos para fora dos EUA (rumaram para a China, México, etc), mesmo sendo um direitista demagogo, xenófobo e racista. 
O português mais rico, Américo Amorim: Para igualar a sua fortuna seria necessário somar a renda de três meses de 2 milhões de pobres portugueses (10% da população do país). 
Assim, por exemplo, no texto de Michael sobre as chances de vitória de Trump, ele mostra que o candidato do Partido Republicano está sabendo explorar muito bem o fato de que muitos empregos industriais foram levados para outros países, dizendo que não permitirá que isso continue acontecendo caso venha a ser eleito. 

Enquanto isso, a candidatura de Hillary Clinton está praticamente condenada, pois ela representa mais do mesmo. Aliás, caso ela venha a ser eleita e reeleita, poderemos ter 12 anos de governos Bush e mais 16 anos de governos Clinton nos EUA num período de 36 anos. Somente Obama terá sido Presidente sem fazer parte de uma das duas famílias. 

A candidatura de Bernie Sanders, um candidato declaradamente socialista (embora seja, de fato, um autêntico social democrata keynesiano) também mobilizou e empolgou milhões de pessoas (principalmente os jovens e as mulheres) por todos os EUA e dificultou a vitória de Hillary na disputa pela candidatura do Partido Democrata. Tudo indica que ela somente foi vitoriosa porque contou com o decisivo apoio da cúpula do Partido Democrata. 

Todas as pesquisas mostravam que Sanders tinha mais chances de vitória do que Hillary, pois ele representa uma liderança com um discurso de renovação, de mudança e de defesa da ampliação dos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários. 
CGT: Central Sindical francesa protesta contra as políticas neoliberais e de arrocho, que são cada vez mais impopulares nos países desenvolvidos.
Portanto, o que ficou claro nesta campanha eleitoral é que a imensa maioria da população dos EUA, e de outros países desenvolvidos, cansou dos políticos que representam o 'mais do mesmo'. A imensa maioria das pessoas não quer continuidade. Elas querem mudanças, mesmo que elas venham a ser realizadas por políticos trogloditas e reacionários, como são Trump ou Marine Le Pen, por exemplo.

Na ausência de movimentos sociais organizados (sindical, em especial) ou de forças políticas progressistas suficientemente fortes que fizessem com que os setores mais prejudicados pelas políticas neoliberais pudessem se mobilizar, lutar e enterrar as políticas neoliberais e de arrocho, eles acabam se voltando para partidos ou candidatos que atacam tais políticas, mesmo que tenham um perfil direitista, racista, demagógico xenófobo.

Isso não é novo na história. Isso já aconteceu antes, com Hitler e os nazistas, que subiram ao poder na Alemanha explorando um discurso demagógico, racista, nacionalista e xenófobo, atacando o crescente papel das mulheres na sociedade, discurso que é reproduzido, agora, por Donald Trump. 

Na Itália, na mais recente eleição municipal o partido mais votado foi o 'M5S' (Movimento Cinco Estrelas), liderado por um humorista, Beppe Grillo, que também ataca a classe política tradicional e as políticas neoliberais e de arrocho. 
Bernie Sanders é um autêntico social-democrata keynesiano, defensor de um Welfare State. Sua candidatura tinha maiores chances de derrotar o racista e xenófobo Trump do que a da belicista e imperialista Hillary Clinton. Mas os tubarões que comandam o Partido Democrata fizeram de tudo para que Hillary fosse a escolhida. O fato desagradou a muitos eleitores de Bernie, que poderão até recusar o voto a Hillary, o que poderá dar a vitória a Trump na eleição de Novembro. 
Trump é o 'Cacareco' no qual o 'povão', os trabalhadores industriais desprovidos de direitos e de sindicatos que os defendam, bem como a classe média empobrecida, irá depositar o seu voto, a fim de extravasar a sua raiva, a sua ira, contra as atuais políticas neoliberais e de arrocho, que beneficiam ao Grande Capital financeiro globalizado.

Logo, caso Bernie Sanders, um social democrata keynesiano autêntico, tivesse sido escolhido candidato pelo Partido Democrata, ele derrotaria Trump, pois também critica duramente as políticas neoliberais e de arrocho que promovem a precarização do trabalho no mundo todo, incluindo os EUA.

Mas a máquina do Partido Democrata, controlada por políticos esclerosados e de mentalidade retrógrada, preferiu Hillary, escolhendo 'mais do mesmo'. 

E agora teremos uma candidatura que representa ‘mais do mesmo’, (Hillary), contra outra (Trump) que, mesmo sendo um troglodita reacionário, fala a linguagem que as pessoas querem ouvir neste momento, de mudanças, e que expressam a raiva e a insatisfação acumuladas durante todos estes anos em que os governos dos EUA comandaram o país apenas para beneficiar os grandes capitalistas (Wall Street, indústria armamentista e de segurança nacional).

Os governos dos EUA, nas últimas décadas, viraram as costas para o povo e, agora, este  vira as costas para a classe política que liderou o país durante todo este tempo. 

Nada de novo sob o sol, portanto. 
Qualquer semelhança não é mera coincidência: Hitler dizia que os problemas que a Alemanha enfrentava eram culpa de judeus e comunistas e era racista e xenófobo. Trump também é racista e xenófobo e culpa os imigrantes por muitos dos problemas que os EUA enfrentam atualmente. Encontrar bodes expiatórios é bem mais fácil do que explicar para as pessoas quais são as causas verdadeiras dos problemas que suas sociedades enfrentam.  
Links:

Michael Moore: 5 motivos pelos quais Donald Trump será o próximo presidente dos EUA!


M5S - Movimento de Beppe Grillo, anti-neoliberal, vence eleição municipal na Itália:


Brexit: Hegemonia do capital financeiro alemão está destruindo a integração europeia!


Michael Moore - Há 30 anos, nos EUA: "O dia em que o homem comum foi assassinado":

Brasil (8,1%) e Espanha (8,4%) possuíam taxas de desemprego praticamente idênticas em 2007, antes do estouro da crise global, que começou em 2008. Entre 2008 e 2014, os governos Lula e Dilma adotaram políticas anti-cíclicas keynesianas, implementando medidas de estímulo ao crescimento econômico e de distribuição de renda. Já a Espanha adotou políticas neoliberais e de arrocho. O resultado foi o que se viu no gráfico: No Brasil, o desemprego diminuiu para 5,2% (em 2014) e na Espanha ele disparou para 24,5% (em 2014).
Veja de que maneira a UE trata países cujos governos recusam as políticas neoliberais e de arrocho: 


Governo Temer: Ministro do Trabalho diz que irá mexer nas leis trabalhistas, visando reduzir salários e aumentar a jornada de trabalho:



Extrema-Direita apela para discurso voltado para as classes baixas e cresce na Áustria:


Extrema-Direita diz que poderá pedir convocação de referendo para tirar Áustria da União Europeia:


Classe Média empobrece e encolhe nos EUA:


Alemanha: 20% dos empregos são de baixos salários:


Jeremy Corbyn (um autêntico Social-Democrata keynesiano) foi escolhido líder do Partido Trabalhista britânico em Setembro de 2015. O tradicional partido britânico, historicamente ligado ao movimento sindical e que construiu o Estado de Bem-Estar Social na terra da Rainha no Pós-Guerra, demorou muito para abandonar a 'Terceira Via' Neoliberal que Tony Blair e seu mentor (Anthony Giddens) impuseram ao partido. 
Guy Standing e o 'Precariado':


Elite da Elite está preocupada com o Precariado:


A política do Precariado:


Precariado, classes e envolvimento político:


Portugal: 5% mais ricos ganham 20 vezes mais que os 5% mais pobres:


Ruy Braga: Bernie Sanders e o Socialismo Reformista nos EUA:

Apesar da demora em abandonar o receituário neoliberal da 'Terceira Via' de Tony Blair, o 'Labour Party' já está liderando as pesquisas no Reino Unido, superando os Conservadores na preferência do eleitorado britânico, segundo pesquisas recentes (uma delas apontou 34% para os Trabalhistas e 33% para os Conservadores).
Tony Blair e a 'Terceira Via', que conduziu a Social-Democracia europeia ao Neoliberalismo:


Liderado por Jeremy Corbyn, o Partido Trabalhista lidera pesquisa eleitoral no Reino Unido (Março de 2016):

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