domingo, 14 de agosto de 2016

Lula, o Pacto Político, o Golpe de 2016 e a crise da Era da Inclusão Social!! - Marcos Doniseti!

Lula, o Pacto Político, o Golpe de 2016 e a crise da Era da Inclusão Social!! - Marcos Doniseti!
Elites reacionárias apoiaram movimentos retrógrados que exigiam, nas ruas, o fim da Democracia brasileira. Embora não tenhamos tido uma intervenção militar, ocorreu um Golpe de Estado que derrubou Dilma de forma ilegal e que, portanto, rasgou a Constituição do país.
Muitas pessoas que se dizem 'esquerdistas' ou 'petistas' criticam o presidente Lula por ter viabilizado um grande pacto político nacional que reuniu forças progressistas (PT/PCdoB e movimentos sociais como a CUT, UNE, MST, LGBT) junto com forças políticas e sociais conservadoras (PMDB, PTB, PP, entre outros). 

Mas parece que tais pessoas fazem questão de esquecer que foi justamente esse Pacto Político que tornou possível a adoção de políticas que promoveram uma melhor distribuição de renda, bem como a inclusão social e a ascensão dos mais pobres (40 milhões saíram da miséria).

Isso foi possível devido à criação de empregos melhores (foram criados 21 milhões de empregos com carteira assinada entre 2003-2014), salários mais altos (o salário mínimo teve um aumento real de quase 92%), acesso ao ensino superior (por meio do Fies, ProUni, Lei de Cotas e criação de 18 novas universidades federais) e a moradias para a população de baixa renda (Minha Casa Minha Vida, que já entregou 2,5 milhões de moradias para a população de baixa renda), bem como a bens de consumo em geral (automóveis, celulares/smartphones, computadores, geladeiras, etc). 

Lula e as principais lideranças das forças políticas e sociais progressistas brasileiras avalizaram tal pacto, o que permitiu que o PT governasse o Brasil durante 12 anos consecutivos, entre 2012-2014.
Reforma trabalhista do governo de Temer/PMDB/PSDB irá permitir que a CLT seja transformada em letra morta. E até mesmo direitos estabelecidos na Constituição serão aniquilados, o que permitirá um brutal aumento da exploração da força de trabalho do país por parte dos Capitalistas. 
Obs1: O ano de 2015 não entra na conta, pois neste momento as forças conservadoras já haviam rompido tal Pacto Político e se uniram para impedir que Dilma conseguisse governar, a fim de desgastar e enfraquecer o seu governo e, desta maneira, poder derrubá-la do cargo. Infelizmente, as forças mais retrógradas acabaram conseguindo atingir os seus objetivos. E agora o povo brasileiro (os pobres e a classe média) irão pagar o Pato da vitória e da consolidação do Golpe Reacionário e Entreguista que foi vitorioso. 

Mas, qual é a novidade dessa aliança política que Lula construiu no Brasil a fim de se construir uma sociedade com melhor distribuição de renda e com um mínimo de justiça social? 

Nenhuma novidade. 

Isso já tinha sido feito anteriormente em nosso país, com variados graus de sucesso, principalmente pelos governos de Getúlio Vargas, JK e Jango. 

Getúlio Vargas, em seu segundo governo (1951-1954), em outro momento e em circunstâncias históricas distintas, fez a mesma coisa. Embora ele fosse do PTB, a maioria dos seus ministros era de duas legendas conservadoras, o PSD e a UDN (sim, até a UDN teve ministro no governo democrático de Vargas). 
A 'Tribuna da Imprensa', jornal de propriedade do eterno golpista Carlos Lacerda, fazia campanha sistemática contra o governo democrático de Getúlio Vargas. Outros jornais da época ('O Globo', 'Estadão', entre outros) faziam a mesma coisa. Qualquer semelhança com a brutal campanha midiática que se fez contra os governos Lula e Dilma não é mera coincidência.
Esse governo de união nacional foi uma tentativa de Vargas de diminuir a rejeição ao seu nome por parte das forças políticas mais retrógradas (grandes empresários, multinacionais, banqueiros, latifundiários, classes médias mais abastadas, Grande Imprensa, Igreja Católica, setores direitistas das Forças Armadas). 

Porém nem mesmo ele, Getúlio Vargas, com toda a sua legendária capacidade de articulação política, de conciliar interesses conflitantes, conseguiu ser bem sucedido nesta tentativa de se promover um Pacto Político em um ambiente de regime Liberal-Representativo. 

E o resultado desse agravamento dos conflitos políticos e sociais em seu governo democrático foi o Golpe de Estado que resultou no seu suicídio, em Agosto de 1954. 

Mesmo após a morte de Getúlio Vargas e o colapso da política de conciliação de classes colocada em prática pelo pai do Trabalhismo brasileiro durante o seu curto mandato (cerca de 3 anos e 6 meses), o presidente Juscelino Kubistchek continuou com essa política de natureza conciliatória. JK continuou governando com o apoio do PSD (do qual ele, JK, era a principal liderança), um partido conservador e de fortes características fisiológicas, e do PTB, progressista, do qual Jango (vice de JK) era o principal líder. 

Obs2: Sobre o caráter fortemente pragmático e fisiológico do PSD, um dos seus principais líderes, Tancredo Neves (um getulista convicto), disse o seguinte: "Entre a Bíblia e 'O Capital', o PSD fica com o Diário Oficial". 
Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves foram dois dos principais líderes do PSD no período 1945-1965. Ambos eram getulistas e defendiam políticas nacionalistas e reformistas, de caráter moderado, para desenvolver o país. Mesmo assim, JK sofreu várias tentativas de Golpe de Estado (em 1955, 1956, 1959). 
Assim, o PSD lembra muito o PMDB dos nossos tempos, embora tivesse políticos de uma qualidade muito superior ao da época atual, como foram os casos de JK e Tancredo Neves. Aliás, grande parte das lideranças do antigo PSD foram membros do PMDB, incluindo Tancredo Neves e Ulysses Guimarães. 

Desta maneira, JK conseguiu isolar politicamente os conservadores retrógrados (eternos golpistas, principalmente Lacerda) da UDN, inviabilizando a possibilidade de que as tentativas golpistas fossem vitoriosas. 

E vejam que mesmo sendo um político centrista, um reformista modernizador moderado originário das elites do país, JK enfrentou três tentativas de Golpe de Estado: Em 1955 tivemos um Golpe que tentou impedir a posse de JK/Jango, que tinham acabado de vencer a eleição presidencial, derrotando os conservadores Juárez Távora (UDN) e Ademar de Barros (PSP). 

Em 1956, tivemos uma nova tentativa de Golpe de Estado, por meio de uma rebelião militar, que foi a revolta de Jacareacanga, que acabou derrotada. Em 1959, tivemos outra tentativa de Golpe contra o governo JK, quando ocorreu a revolta militar de Aragarças, que também foi derrotada. 

E é claro que o eterno golpista Carlos Lacerda (o FHC da época) estava envolvido em todas estas tentativas de Golpe. 
Jango e Brizola defendiam a adoção das chamadas 'Reformas de Base' (agrária, urbana, política, tributária, universitária). Mas enquanto o presidente Jango queria promovê-las dentro das regras do jogo democrático, Brizola e as Esquerdas Radicais (Prestes, Arraes, Francisco Julião, PCB, CGT, UNE, Ligas Camponesas) queriam realizá-las 'na lei ou na marra', contribuindo decisivamente para o processo de radicalização política e ideológica que ocorreu no Brasil durante o governo Jango (1961-1964). 
Em 1961, tivemos um novo Golpe de Estado, por meio do qual os ministros militares e as forças mais retrógradas da sociedade tentaram impedir a posse de Jango na Presidência da República, após a renúncia de Jânio Quadros, que pensou que o povo iria sair às ruas e os militares exigiriam a sua permanência no cargo, aproveitando-se para se tornar um Ditador. Ninguém pediu para Jânio ficar no cargo e ele acabou saindo da história para entrar na vida, fazendo caminho inverso ao de Getúlio Vargas, a cuja Carta-Testamento ele plagiou na cara dura quando escreveu a carte de renúncia.

Obs3: 'O Globo' e 'Estadão', que eram os principais jornais conservadores do Brasil naquela época, apoiaram essa tentativa de Golpe. Em 1964, apoiaram o Golpe de 64, que derrubou o governo democrático de Jango e, agora, fazem o mesmo em 2016, apoiando o Golpe que derrubou o governo democrático de Dilma. Isso comprova o quanto a Mídia brasileira sempre foi golpista. 

Jango também tentou fazer o mesmo, em seu governo, promovendo a continuidade da política de conciliação de classes que Vargas e JK haviam praticado, mas ele fez isso em um ambiente de radicalização política e ideológica (tanto interna, quanto externa, em função da vitória da Revolução Cubana).
Já em 1962 o jornal 'O Globo', sempre defendendo medidas reacionárias e que prejudicam os trabalhadores, fazia campanha contra a criação do 13o. Salário, reivindicação essa que acabou sendo atendida pelo governo Jango, que sancionou a lei que criou o mesmo em 1963.
Essa radicaliação foi promovida tanto pelas forças conservadoras, direitistas, que desde a derrota do Golpe de 1961 continuaram promovendo articulações e campanhas que visavam enfraquecer e derrubar o governo Jango (a CIA ajudou muito nesse movimento golpista, financiando as candidaturas de inúmeros políticos conservadores nas eleições de 1962), quanto pelas Esquerdas Radicais (Brizola, Prestes, Arraes, Francisco Julião, PCB, CGT, UNE, Ligas Camponesas), que desejavam promover as 'Reformas de Base' na lei ou na marra. 

Tal radicalização inviabilizou a continuidade dessa política conciliatória, levando à vitória do Golpe de 1964, organizado e promovido pelas mesmas forças políticas e sociais retrógradas que haviam tentado derrubar Getúlio Vargas em 1954. 

Portanto, somente notórios desinfomados podem acreditar que a política conciliatória do governo Lula foi uma novidade. Outros governos (Vargas, JK e Jango), dos mais progressistas da história brasileira, fizeram o mesmo. E também foram vítimas de inúmeras tentativas golpistas. 

O governo Dilma foi derrubado porque as forças conservadoras que sustentavam o Pacto Político feito,  avalizado e sustentado por Lula entre 2002/2014, romperam o mesmo, passando a adotar uma estratégia golpista que permitisse inviabilizar e derrubar o governo Dilma, a fim de impor uma política neoliberal, entreguista, privatista e de arrocho que as forças progressistas se recusavam a adotar. 
Tal como fez em, 1962, quando 'O Globo' fez campanha contra a criação do 13o. Salário, agora os proprietários do jornal voltam a defender o fim dos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, fazendo o discurso de 'flexibilizar' a CLT, ou seja, de transformá-la em letra morta. 
Exemplo disso foi a venda (a preço de banana, é claro), pelo governo Temer, de um campo do pré-sal (Carcará) para um empresa de petróleo norueguesa, a Statoil, que pertence ao governo da Noruega, que é o país mais desenvolvido do mundo (número 1 no IDH da ONU). 

A Europa Ocidental e o Pacto Político do Pós-Guerra!

Na Europa Ocidental do Pós-Guerra também tivemos um grande Pacto Político, que reuniu forças de Esquerda e de Direita, que viabilizaram a manutenção da Democracia Liberal-Representativa, ao mesmo tempo em que se promoveu a construção de um Estado de Bem-Estar Social (Welfare State).

Durante a vigência deste Pacto Político não importava qual o partido que governasse algum dos principais países europeus (Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Bélgica, Holanda, países escandinavos), o Pacto Político que promoveu uma combinação de um regime Liberal-Representativo com a construção e manutenção de um Estado de Bem-Estar Social (Welfare State) era preservado.

Assim, fosse um partido Social-Democrata/Trabalhista ou um Democrata-Cristão/Conservador que estivesse no governo, as políticas que promoveram grandes investimentos em saúde, educação, habitação, transporte coletivo, previdência social, eram preservadas. 

Tais políticas eram financiadas de duas maneiras principais: 

A) Crescimento Econômico: Tal crescimento foi virtualmente ininterrupto entre 1948 (ano da adoção do Plano Marshall) e 1973 (ano em que ocorreu o primeiro 'Choque do Petróleo'); 

B) Tributação Progressiva: A tributação progressiva da renda e da riqueza, cobrando mais impostos dos mais ricos e menos dos mais pobres. Essa tributação era feita sobre a renda individual, o patrimônio e os ganhos de capital. 
'Pós-Guerra', fantástico livro do historiador britânico Tony Judt sobre a história da Europa no Pós-Guerra, mostra que a construção do Welfare State (Estado de Bem-Estar Social) foi resultado de um Pacto Político do qual participaram forças de Esquerda (Social-Democratas, Trabalhistas e até os Comunistas, caso do PCI) e Direita (Democratas Cristãos, Liberais e Conservadores) . 
Este Pacto Político foi mantido por cerca de 35 anos, entre 1945-1980, e contou com o apoio fundamental e decisivo dos EUA, que tinha interesse em mostrar que uma versão mais 'humanizada' do Capitalismo era mais interessante para os trabalhadores e para a classe média da Europa Ocidental do que o regime do chamado ''Socialismo Real" que vigorava no 'bloco soviético' (URSS, Polônia, Hungria, Romênia, Alemanha Oriental, Tchecoslováquia, Bulgária).  

A pobreza e a miséria que grassavam na Europa Ocidental no Pós-Guerra e a existência de um bloco soviético, que se dizia Socialista, em grande parte da Europa Central e no Leste Europeu foi o principal motivo que levou os EUA e as elites capitalistas do Ocidente a aceitar a existência de um Welfare State nestes países ocidentais e que era financiado com uma forte tributação sobre o Capital e os mais ricos. 

Os EUA apoiaram esse Pacto Político de várias maneiras, tais como: 

A) Plano Marshal: Este foi implantado pelos EUA a partir de 1948 e representou uma gigantesca DOAÇÃO de recursos financeiros para que os países da Europa Ocidental pudessem levar adiante e concluir a tarefa de reconstrução, que havia sido iniciada logo após o final da Segunda Guerra Mundial, mas que tinha sido interrompida, em 1947, em função do excessivo endividamento destes países. 
Os países da Europa Ocidental estavam devastados ao final da Segunda Guerra Mundial e não possuíam os recursos (capital) necessários para se reconstruir. O Plano Marshall, adotando entre 1948 e 1953, forneceu (via doação de capital pelos EUA) o capital necessário para que essa reconstrução fosse levada adiante. Sem os recursos do mesmo, a Europa Ocidental jamais teria se recuperado da destruição provocada pela Guerra.
Além de doar esses recursos, os EUA respeitaram a autonomia de cada país europeu que foi beneficiado pelo Plano Marshall, permitindo que o governo de cada um escolhesse em que área investir. Assim, alguns países priorizaram a área social, enquanto que outros deram mais importância para investimentos em infra-estrutura ou no setor industrial.

O Plano Marshall representou uma transferência anual que equivalia a cerca de 10% a 12% do PIB dos países beneficiados (Europa Ocidental). É como se o Brasil, atualmente, recebesse (sob a forma de DOAÇÃO) algo como US$ 240 bilhões anualmente para investir naquilo que considerasse mais necessário para o seu desenvolvimento. É claro que se isso acontecesse o Brasil passaria por um rápido processo de desenvolvimento econômico. 

B) Criação da OTAN: Os EUA literalmente bancaram os gastos militares dos países da Europa Ocidental, por meio da criação da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Com a criação da OTAN, as Forças Armadas dos países europeus ocidentais ficaram sob o controle direto dos EUA, o que foi importante para evitar que os mesmos iniciassem uma nova guerra que devastasse, novamente, o Velho Mundo. Em função disso, até hoje é sempre um General dos EUA que comanda a OTAN.

Sem precisar gastar muito com a indústria bélica ou com as Forças Armadas, pois tais gastos eram bancados pelos EUA, os governos da Europa Ocidental puderam destinar uma parcela maior dos seus orçamentos para investimentos na área social. 

Este foi o caso, principalmente, da Alemanha Ocidental. 
Portão de Brandemburgo, em Berlim, ao final da Segunda Guerra Mundial: Grande parte do Velho Mundo encontrava-se nesta situação ao final do conflito que foi desencadeado pelas ambições criminosas e imperialistas da Alemanha Nazista de Hitler.  
C) A Guerra Fria e as Guerras mundo afora: As inúmeras guerras promovidas pelos EUA mundo afora (Guerra da Coréia, Guerra do Vietnã, entre outras) serviram de fonte de estímulo para o crescimento econômico de todo o mundo capitalista no Pós-Guerra. 

Tais guerras fizeram com que a tensão política internacional se mantivesse sempre em alta, o que fortalecia o clima de paranóia que era característico da Guerra Fria.  

Isto fez com que os gastos militares dos EUA sempre ficassem num patamar elevado, promovendo um grande aumento dos gastos públicos que, por sua vez, estimulava o setor privado a investir cada vez mais, gerando milhões de empregos na área militar. 

A Guerra da Coréia começou em 1949 e terminou em 1953, mas já no ano seguinte os EUA começaram a intervir na Guerra do Vietnã, onde gastaram cerca de US$ 1 trilhão (em valores da época... hoje seria muito mais) durante cerca de 20 anos de conflito. 

Até o final do governo Kennedy a intervenção dos EUA no Vietnã se dava por meio do envio de dinheiro, assessores militares e armamentos. A partir do governo de Lyndon Johnson é que os EUA começaram a enviar soldados para combater, erro este que John Kennedy nunca cometeu. O auge do envolvimento militar dos EUA se deu em 1968, quando chegaram a possuir cerca de 550 mil soldados combatendo no Vietnã.
O envolvimento direto dos EUA nas  Guerra da Coréia (1949-1953) e do Vietnã (1954-1975) fizeram com que os gastos militares atingissem um patamar altíssimo, principalmente nos EUA e no Reino Unido. Tais gastos militares foram fundamentais para se promover o crescimento econômico do Ocidente Capitalista no período 1948-1973. 
Independente dos resultados destas guerras, elas representaram um gigantesco estímulo ao crescimento econômico, sendo fundamentais para que todo o Ocidente Capitalista continuasse crescendo, de forma ininterrupta, entre 1948-1973. 

De certa maneira, a economia do Ocidente Capitalista ficou viciada e dependente das Guerras para poder continuar crescendo, o que gerou a formação de um gigantesco complexo industrial-militar, a cujo crescente poder até mesmo o então presidente Eisenhower advertiu que seria bastante prejudicial aos regimes liberais-democráticos do Ocidente. 

Não foi à toa, portanto, que foi justamente neste período em que tivemos uma grande melhoria nas condições de vida da imensa maioria da população europeia, principalmente da classe média e dos mais pobres. 

Esta foi a chamada "Era de Ouro" do Capitalismo Ocidental (como a denominou o brilhante historiador marxista britânico Eric Hobsbawm) e que combinou três fatores fundamentais para que se melhore as condições de vida da população, que são: 

A) Estabilidade Política; B) Crescimento Econômico; C) Estado de Bem-Estar Social. 

A combinação destes três elementos foi o que gerou a formação de uma imensa classe média, que se tornou a maioria absoluta da população no Ocidente Capitalista (algo que nunca havia acontecido até então), bem como tivemos uma melhoria substancial das condições de vida das classes trabalhadoras e dos mais pobres. 
'Era dos Extremos', livro clássico de Eric Hobsbawm, é fundamental para se poder compreender o século XX. 
Nesta 'Era de Ouro', a distribuição de renda melhorou bastante, as desigualdades sociais foram sensivelmente reduzidas e os europeus passaram a desfrutar de um amplo conjunto de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, bem como de melhores salários e condições de trabalho muito mais dignas. 

Com isso, formou-se um gigantesco mercado consumidor de todo tipo de produto que, até antes da Segunda Guerra Mundial, eram acessíveis apenas aos mais ricos na Europa Ocidental. Os automóveis, por exemplo, somente se massificaram na Europa Ocidental a partir do final dos anos 1950. 

Até mesmo serviços como o fornecimento de água encanada ainda não chegavam a mais da metade das residências de países como Bélgica, Itália, Áustria e Espanha (fonte: livro 'Pós-Guerra: Uma Historia da Europa desde 1945", de Tony Judt). 

Foi esse Pacto Político, portanto, que tornou possível que a população da Europa Ocidental passasse a desfrutar de excelentes condições de vida.

E esse Pacto Político foi mantido, virtualmente sem qualquer alteração, até a ascensão de Ronald Reagan e Margaret Thatcher ao poder, nos EUA e no Reino Unido, entre 1979/1980, que adotaram políticas neoliberais, privatizantes, de desmonte do Welfare State, reprimindo e enfraquecendo duramente o movimento sindical. 
No caótico sistema político-partidário brasileiro até o DEM e o PSOL se uniram, o que ocorreu na eleição municipal de 2012 em Macapá, quando os 'democratas' apoiaram o candidato do PSOL, Clécio Soares, que venceu a eleição. 
O fim do Pacto Político no Brasil e o Golpe de 2016!

Portanto, políticas que promovam uma melhor distribuição de renda e a justiça social dependem, essencialmente, da criação e aceitação de Pactos Políticos amplos, que representem a maioria absoluta da população (trabalhadores assalariados, pequenos proprietários, classes médias), bem como os segmentos mais poderosos e influentes da sociedade (grandes industriais, banqueiros, latifundiários, multinacionais). 

E foi exatamente isso que o governo Lula fez no Brasil e que Dilma deu continuidade, embora sem a mesma capacidade de dialogar e articular politicamente que o maior líder sindical da história brasileira desenvolveu durante muitos anos de diálogo com trabalhadores, mídia, classes médias, movimentos sociais, grandes empresários, igrejas, entre outros segmentos sociais. 

Mas não se iludam: Nenhuma capacidade de articulação política é capaz de manter o Pacto Político quando um dos lados decide romper o mesmo. Assim, se um dos lados rompe esse Pacto Político, tais políticas de inclusão social e distribuição de renda ficam inviabilizadas e o próprio regime Liberal-Representativo fica ameaçado. 

E é exatamente isso que tivemos no Brasil a partir de 2013. 

As 'Jornadas de Junho' que, inicialmente, reivindicavam maiores direitos sociais (educação, saúde, transporte coletivo) foram apropriadas por uma Direita retrógrada, e até por uma Extrema-Direita neofascista, que se unificou durante a campanha eleitoral de 2014.
Lula e Dilma: Sem a realização de acordos políticos com outras legendas, mesmo conservadoras, as quatro vitórias eleitorais consecutivas para a Presidência da República jamais teriam acontecido. E sem as mesmas não teríamos Bolsa Família, Aumento Real do Salário Mínimo, Minha Casa Minha Vida, Fies, ProUni, Ciência Sem Fronteiras, entre outros inúmeros projetos e programas que foram fundamentais para se tirar 40 milhões de pessoas da miséria. 
Nesta campanha eleitoral, todas as principais forças políticas e sociais mais conservadoras se uniram para derrotar Dilma e encerrar a 'Era da Inclusão Social' que havia sido iniciada pelo governo Lula: Latifundiários (agronegócio), Igrejas Conservadoras (principalmente as neopentecostais), Grande Mídia, Sistema Financeiro, Multinacionais, Classe Média abastada, partidos conservadores (PSDB, PTB, PMDB, DEM, PPS), Capital Financeiro Globalizado.

O terrorismo midiático e a operação Lava Jato também foram fundamentais para se enfraquecer o governo Dilma, que passou a ser responsabilizado por uma crise econômica mundial que somente não chegou antes ao Brasil em função das medidas anticiclicas keynesianas adotadas pelos governos Lula e Dilma (redução de juros, aumento da oferta de crédito pelos bancos públicos, redução de impostos, aumento dos investimentos públicos, aumento de salários e dos gastos sociais). 

Somente a operação Lava Jato tirou o emprego de 1 milhão de trabalhadores apenas em 2015, em nome de um combate à corrupção que se revelou altamente midiático, partidário e seletivo. Grande parte das principais obras de infra-estrutura do país foram paralisadas ou muito prejudicadas em função da operação, incluindo obras de refinarias, petroquímicas, construção naval, entre muitas outras.

E o terrorismo midiático inventou uma crise econômica de uma gravidade inexistente e artificial, chegando a dizer que o Brasil era um país 'quebrado', embora o país tenha acumulado, durante os governos Lula e Dilma, reservas internacionais líquidas (US$ 376 bilhões) suficientes para pagar toda a dívida externa do país (US$ 332 bilhões). E com esse terrorismo da Mídia, a população se assustou e reduziu drasticamente o seu consumo, principalmente de bens e serviços de maior valor. 
Getúlio Vargas e o seu Vice-Presidente, Café Filho (PSP), que o traiu descaradamente em 1954, participando ativamente das articulações políticas que visavam derrubar Vargas da Presidência da República, o que resultou no suicídio deste.
Com isso, por exemplo, as vendas de automóveis zero km despencaram no mercado interno, depois de um primeiro mandato de Dilma no qual as vendas bateram um recorde histórico e chegaram a quase 14 milhões de unidades em apenas quatro anos (2011-2014). 

Some tudo isso com uma classe política apavorada com a possibilidade de ir parar na prisão em função das investigações feitas no país, as quais Dilma nunca tentou barrar, fato este que foi devidamente reconhecido até mesmo pelos procuradores da operação Lava Jato, e estão criadas as condições para que um Golpe de Estado promovido por forças conservadoras seja levado adiante e acabe vitorioso. 

Todos estes segmentos se uniram a fim de inviabilizar, enfraquecer e derrubar o governo Dilma. E eles souberam se aproveitar de eventuais erros de articulação política, de medidas de ajuste econômico que não foram as corretas ou que não foram devidamente explicadas para a população, bem como de falta de diálogo maior do governo Dilma com a base social organizada que havia sido, em grande parte, a responsável pela quase que milagrosa vitória de Dilma na eleição presidencial de 2014.

Os erros cometidos por Dilma em seu segundo mandato (que afastaram a maior parte do eleitorado que havia votado em sua candidatura), a operação Lava Jato, o terrorismo midiático, o pavor da classe política e uma conjuntura econômica desfavorável beneficiaram aos grupos retrógrados, que se unificaram em torno do Golpe. 
Durante os governos Lula e Dilma o Salário Mínimo teve um aumento real de 91,3%, passando de R$ 200 (2002) para R$ 880 (2016), acumulando um reajuste de 340%, contra uma inflação acumulada de 130% no mesmo período. Valor real do Salário Mínimo atingiu o seu maior patamar desde o governo Jango (1961-1964). 
E isso aconteceu mesmo que os interesses destas frações de classe sejam os mais variados possíveis, sendo que em muitos casos são, até, conflitantes entre si. Mas o fato de possuírem um inimigo comum (Dilma, Lula, o PT e as forças progressistas em geral) serviu para unificá-los.

E agora, tal como aconteceu na Europa Ocidental e nos EUA pós-Reagan/Thatcher, o Brasil tem novamente um governo neoliberal, entreguista, reacionário, que já anunciou que irá promover inúmeros retrocessos no país. 

Com isso, os trabalhadores brasileiros e as camadas populares poderão perder direitos sociais, trabalhistas e previdenciários que foram conquistados ao longo de décadas de luta, e que remontam ao século XIX (no qual já se faziam greves em defesa da criação do salário mínimo e da previdência social) e até aos períodos Colonial e Monárquico (a luta contra a Escravidão é um grande exemplo dessa luta, da qual a criação dos Quilombos e a criação da Capoeira são alguns dos seus maiores símbolos).

A agenda neoliberal do governo Temer/PMDB/PSDB inclu:

A) Privatizações desnacionalizantes (da Petrobras, BB, CEF, BNDES, FGTS, FAT);

B) Entrega do pré-sal ao capital estrangeiro a preço de banana;

C) Criminalização e repressão aos movimentos sociais e dos partidos de oposição (PT e PCdoB, em especial);

D) Desmonte dos programas sociais (ProUni, Fies, Ciência Sem Fronteiras, Minha Casa Minha Vida, entre outros);
Produção do pré-sal cresce rapidamente. Em menos de 10 anos, desde a sua descoberta (em 2006) a produção já passa de 1,2 milhão de barris diários de petróleo e gás natural. E a produtividade do pré-sal é altíssima, chegando a 25 mil barris diários por poço. No Golfo do México a produtividade é bem menor, de 10 mil barris diários por poço. 
E) Desmonte da CLT (o acordado entre empresários e trabalhadores irá se impor sobre o legislado, ou seja, sobre os direitos garantidos por Leis);

F) Reforma da previdência que irá atingir os trabalhadores que já estão no mercado de trabalho;

G) Abandono do processo de integração latino-americano pelo Brasil.

Estas são algumas das principais medidas que estão sendo colocadas em prática ou ensaiadas por um governo ilegítimo e que não foi eleito diretamente pelo povo. 

Afinal, quem votou nesse programa de governo em 2014? Ninguém. 

O Brasil caminha para uma nova Ditadura? 

O momento atual, no Brasil, é de conflitos políticos e sociais intensos e que deverão ficar muito mais fortes quando todas estas medidas impopulares começarem a ser impostas pelo governo ilegítimo de Temer.

Tais medidas somente serão viabilizadas se algum tipo de regime autoritário for imposto ao país. Dentro das regras do jogo democrático elas são inviáveis, pois vão contra os interesses da maioria da população. 

E mesmo entre os diferentes segmentos golpistas estes conflitos irão se intensificar, caso o governo Temer venha a se consolidar no poder, pois há resistências dentro de certos grupos golpistas a inúmeras medidas impopulares (mudanças na CLT e na Previdência Social, em especial) que irão atingir em cheio ao eleitorado de uma parte dos partidos políticos que apoiaram o Golpe. 
Governo Alckmin usa a PM para reprimir de forma brutal aos estudantes que lutam contra o fechamento de escolas, superlotação das salas de aula e a péssima qualidade da educação pública oferecida pelo governo do PSDB, que governa o estado de São Paulo há mais de 20 anos. É esse tipo de governo que temos, agora, no comando do país. 
O fato concreto é que o Brasil muito dificilmente irá se recuperar tão cedo da crise econômica, política e social atual. 

Um Pacto Político foi rompido e um novo ainda não foi devidamente 'assinado'. E tudo indica que, agora, não teremos um novo Pacto Político. E sem um novo Pacto Político o país corre o sério risco de vir a se tornar ingovernável e por um bom período de tempo ou, então, de caminhar para a instalação de um novo regime autoritário. 

Afinal, o projeto neoliberal privatista, excludente, entreguista e retrógrado do governo de Temer/PMDB/PSDB é inteiramente impopular, sendo rejeitado pela imensa maioria da população, até porque ele não foi aprovado em eleições, como sempre acontece em países liberais democráticos. 

De fato, todos os candidatos identificados com esse projeto neoliberal e retrógrado foram derrotados em quatro eleições presidenciais consecutivas (2002, 2006, 2010 e 2014). Ninguém votou nessa plano de governo reacionário e entreguista que Temer/PMDB/PSDB estão impondo ao país, de forma totalmente autoritária e inconstitucional.  

E tudo indica que quando a população brasileira acordar para a nova realidade já será tarde demais, pois o estrago já terá sido feito. 
'A Segunda Guerra Fria': Livro do historiador brasileiro Luiz Alberto Moniz Bandeira explica de que maneira os EUA, bem como ONGs e Think Tanks ianques, promovem processos de desestabilização e Golpes de Estado pelo mundo afora a fim de submeter todos os países à Ditadura Global dos EUA. 
O governo golpista de Temer irá esperar o afastamento definitivo de Dilma do cargo e a realização das eleições municipais para colocar em prática, na íntegra, o seu projeto neoliberal e reacionário e no qual ninguém votou, que inclui a transformação da CLT em letra morta, arrocho salarial, redução e eliminação de benefícios previdenciários, aumento da idade mínima para aposentar, privatizações desnacionalizantes do pré-sal, Petrobras, BNDES, CEF, FGTS, FAT, entre outras medidas anti-nacionais e anti-populares. 

Afinal, será que a população brasileira ficará inerte, sem esboçar qualquer reação a tudo isso que o governo golpista pretende fazer? 

Se não houver reação popular à imposição deste projeto neoliberal, retrógrado e entreguista que Temer quer impor ao país, isso representará o fim de qualquer possibilidade do Brasil vir a ser uma Nação independente, desenvolvida, soberana, justa e democrática. 

Quem viver, verá. 

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Marcio Pochmann e os direitos sociais e trabalhistas: 

http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/120/recessao-e-os-direitos-sociais-e-trabalhistas-8939.html

Walter Sorrentino: A agenda golpista e a encruzilhada do país:

http://www.vermelho.org.br/noticia/284964-1

Grandes empresários já demonstram insatisfação com o governo Temer: 

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/08/grandes-empresarios-ja-demonstram.html
Inúmeros governadores de estado promoveram as chamadas 'pedaladas fiscais', mas apenas Dilma sofreu um processo de Impeachment em função das mesmas. E mesmo assim, o próprio Ministério Público Federal demonstrou que Dilma não fez 'pedalada' alguma, caracterizando a sua deposição como um claro Golpe de Estado. 
Governo Temer - Crise econômica piora: 

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/08/governo-temer-crise-economica-piora.html

Os principais objetivos do Golpe de 2016:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/08/os-principais-objetivos-do-golpe-de.html

Eleição de 2014 - Ninguém votou no Vice:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/08/eleicao-de-2014-ninguem-votou-no-vice.html

O pré-sal não é lucrativo? kkkkkk:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/08/o-pre-sal-nao-e-lucrativo-kkkkkkk.html

Golpe aprofundará recessão que ele mesmo provocou:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/08/golpe-aprofundara-recessao-que-ele_4.html

O PT quebrou o Brasil? kkkkkkkkkk:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/08/o-pt-quebrou-o-brasil-kkkkkk-marcos.html
As reservas internacionais líquidas do Brasil cresceram de US$ 16 bilhões (2002) para US$ 376 bilhões (2016). Elas foram acumuladas pelo Brasil durante os governos Lula e Dilma (2003-2016) e são suficientes para pagar toda a dívida externa do país (US$ 332 bilhões), transformando o Brasil em um Credor Externo Líquido. As reservas servem para manter a economia brasileira em uma situação de menor turbulência, mesmo com a economia mundial enfrentando a sua maior crise desde a Grande Depressão dos anos 1930. Elas são suficientes para pagar 30 meses de importações do país. 
Governo Temer irá elevar idade mínima de aposentadoria para 65 anos:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/07/governo-temer-idade-minima-para.html

Governo de Temer começa a entregar petróleo do pré-sal para os países ricos:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/07/governo-de-temerpmdbpsdb-comeca.html

A ascensão dos trabalhadores, a classe média e o Fascismo:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/07/a-ascensao-dos-trabalhadores-classe.html

Herança de Dilma - Brasil iniciou um processo de recuperação econômica no início de 2016:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/06/heranca-de-dilma-brasil-iniciou_2.html

O Brasil que Lula e Dilma deixaram para Temer:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/05/o-brasil-que-lula-e-dilma-deixaram-para.html

O PT, os programas sociais, Getúlio Vargas e as alianças feitas para governar: 

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/05/o-pt-os-programas-sociais-getulio.html

Ninguém votou no plano de governo de Temer: 

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/05/ninguem-votou-no-plano-de-governo-de.html
A Renda per Capita brasileira teve um crescimento expressivo durante os governos Lula e Dilma, passando de US$ 2.810 (2002) para US$ 11.670 (2014), acumulando um crescimento de 315,3%. 
Governo Temer faz o Brasil voltar à Primeira República, época do Liberalismo Excludente:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/05/de-volta-para-o-passado-governo.html

Classe média apoia um Golpe de Estado que irá empobrecê-la: 

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/03/a-classe-media-apoia-um-golpe-de-estado.html

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