segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Theresa May, nova Primeira-Ministra do Reino Unido, joga o Neoliberalismo na lata de lixo! - Marcos Doniseti!

Theresa May, nova Primeira-Ministra do Reino Unido, joga o Neoliberalismo na lata de lixo! - Marcos Doniseti!
Entre 1979/1980, Margaret Thatcher e Ronald Reagan deram início à Contra-Revolução Neoliberal, que se espalhou pelo mundo todo nas décadas seguintes e que, agora, parece que está vivendo a sua crise final. Nem os Conservadores britânicos querem mais continuar com tais políticas. 
Tudo indica que o processo de Globalização Neoliberal está com os seus dias contados.

Até o novo governo do Partido Conservador do Reino Unido, cuja primeira-ministra Margaret Thatcher deu início, em 1979, à Contra-Revolução Neoliberal, está jogando no lixo o modelo de livre mercado desregulado, Estado Mínimo (só para os pobres e para os trabalhadores), arrocho salarial e de eliminação de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários que foi imposto ao mundo inteiro desde que Thatcher e Ronald Reagan passaram a governar, respectivamente, o Reino Unido (em 1979), e os EUA (1981).

A nova Primeira-Ministra do Reino Unido, Theresa May, já faz discursos e defende a adoção de políticas como se estivesse à frente de um governo Social-Democrata de Centro-Esquerda, o que seria mais comum caso eles estivessem sendo feitos pelo novo líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, que é um autêntico Social-Democrata keynesiano ligado à ala mais esquerdista do tradicional Labour Party. 

Entre as principais propostas defendidas pela nova Primeira-Ministra britânica estão a adoção de uma política industrial (que é um verdadeiro palavrão para os neoliberais do mundo todo) que estimule setores importantes para o desenvolvimento da economia britânica (automobilística, siderúrgica, eletrônica, aeronáutica, farmacêutico), bem como ela quer investir em programas de qualificação da força de trabalho (algo como o Pronatec de Lula-Dilma). 
Theresa May, a nova Primeira-Ministra do Reino Unido, defende o abandono das políticas neoliberais e de arrocho, que foram impostas ao país a partir do governo de Margaret Thatcher. Foi a imensa impopularidade de tais políticas que levaram os britânicos a votar pela saída do Reino Unido da União Europeia. 
A própria saída do Reino Unido da União Europeia contribui para que tais políticas possam ser implementadas, pois ela gerou uma desvalorização significativa da Libra, o que serve como estímulo à produção industrial do país, pois barateia a produção nacional e encarece as importações. 

Além disso, as previsões catastróficas sobre as consequências da saída do Reino Unido da União Europeia (recessão, aumento do desemprego, perda de competitividade da economia do país, etc) não se confirmaram. Tudo indica que elas foram feitas apenas para aterrorizar os britânicos, a fim de poder influir no resultado final do referendo, levando-os a votar favoravelmente à permanência do Reino Unido na União Europeia. 

A nova primeira-ministra britânica também faz duras críticas às políticas neoliberais que levaram ao aumento das desigualdades sociais no Reino Unido nas últimas décadas. 

Em um discurso recente, Theresa May disse o seguinte:

"Significa lutar contra a injustiça candente que faz com que, se você nasceu pobre, morrerá pobre e nove anos antes dos outros. Se você é negro, será tratado com mais dureza pelo sistema judiciário do que se fosse branco. Se você é jovem e branco, da classe operária, terá menos chances que todos os demais britânicos, de chegar à universidade. Se você estuda em escola pública, terá menos chances de obter os melhores postos de trabalho, do que se estudasse em escolas privadas. Se você é mulher, terá salário inferior ao do homem. Se você sofre de doença mental, não encontrará jamais ajuda médica e assistencial adequadas. Se você é jovem, descobrirá que nunca, em tempo algum, foi tão difícil conseguir sua casa própria".
Bernie Sanders conquistou um significativo apoio do eleitorado do Partido Democrata na disputa pela candidatura presidencial. Mesmo com a vitória de Hillary Clinton, graças ao apoio maciço da máquina do Partido Democrata, suas propostas ganharam bastante apelo popular.  
Com certeza, se a Primeira-Ministra britânica visitasse o Brasil e fizesse um discurso desses, os neoliberais, reacionários, coxinhas e golpistas tupiniquins imediatamente lhes diriam coisas como: "Comunista", "Petralha", "Bolivariana", "Vai Pra Cuba", "Populista", "Você está estimulando a luta de classes" e outras asneiras semelhantes.

Assim, a crise que atinge o Neoliberalismo nos países desenvolvidos é de tal ordem que mesmo o Partido Conservador do Reino Unido, o partido de Thatcher, neoliberal de carteirinha, está jogando tal projeto na lata de lixo. 

Nos EUA, Donald Trump, mesmo sendo o candidato do partido de Ronald Reagan (Republicano) e adotando um discurso xenófobo e racista totalmente maluco e equivocado, também faz duras críticas a aspectos fundamentais do processo de Globalização Neoliberal, atacando a fuga dos melhores empregos industriais (e agora do setor de Serviços) para países com baixos custos de mão-de-obra e de produção (México, China, Vietnã, Indonésia, Índia, entre outros). Trump também atada duramente aos Tratados de Livre-Comércio. 

Assim, dois aspectos fundamentais da Globalização Neoliberal (a livre circulação de mercadorias e de mão-de-obra entre os países) são atacados e condenados sem hesitação por Donald Trump. 
O ótimo e essencial livro de Guy Standing explica o processo de formação do Precariado a partir da expansão do processo de Globalização Neoliberal, que se iniciou no final dos anos 1970. 
E um candidato que também defende um governo Social-Democrata keynesiano, Bernie Sanders, teve um excelente desempenho na disputa pela candidatura do Partido Democrata. Hillary Clinton somente se tornou a candidata do partido porque contou com o total apoio da liderança Democrata, que sabotou deliberadamente a candidatura de Sanders.

E recentemente, até mesmo o FMI também admitiu que as políticas neoliberais aumentaram as desigualdades sociais no mundo todo.

Enquanto isso, temos em andamento no Brasil, neste momento, um Golpe de Estado que levou ao poder um governo que irá ressuscitar as políticas neoliberais que já fracassaram mesmo nos países mais ricos e desenvolvidos do mundo e que são os mesmos deram início à imposição de políticas neoliberais, ao mundo inteiro, há algumas décadas (EUA, Reino Unido, etc).

A principal consequência desta Globalização Neoliberal para o mercado de trabalho foi o surgimento do Precariado que, para alguns estudiosos (caso de Guy Standing), constitui uma nova classe social em processo de formação e que vive de trabalhos precários, baixos salários, submetida a longas jornadas de trabalho, com poucos ou nenhum benefício (saúde, pensão, etc), trabalhos temporários ou de meio período. 

Esse Precariado se alastrou por todo o mundo desenvolvido e em um país como a Espanha ele chega a constituir cerca de 85% dos trabalhadores. E mesmo na Alemanha, cerca de 11 milhões de trabalhadores já fazem parte desta nova classe em formação.  
Jeremy Corbyn tornou-se o líder do Partido Trabalhista britânico em Setembro de 2015. Suas propostas vão no sentido de taxas os capitalistas para ter os recursos necessários a fim de aumentar a intervenção do Estado na economia e na área social. Sua plataforma é muito semelhante à de Bernie Sanders e, agora, está sendo adotada até pela nova Primeira-Ministra do Reino, Theresa May, do Partido Conservador, o mesmo de Thatcher. 
Essa precarização acelerada e crescente do mercado de trabalho mundial também chegou aos EUA e, agora, pode vir a se tornar generalizada também no Brasil, visto que as chamadas 'reformas' trabalhista e previdenciária que é defendida pelo governo golpista e ilegítimo de Michel Temer visa justamente promover a generalização do trabalho terceirizado, o que abrirá as portas para a total precarização do mercado de trabalho brasileiro.

O governo de Dilma foi derrubado justamente porque o mesmo (junto com PT, PCdoB, Centrais Sindicais e demais movimentos sociais) se opunha inteiramente à tal política de precarização dos empregos no país, bem como se recusava a abrir mão do controle estatal sobre as imensas reservas de petróleo e gás natural do pré-sal (estimativas apontam que elas podem chegar a até 176 bilhões de barris, o que seria a 4a. maior reserva mundial, ficando atrás apenas da Venezuela, Arábia Saudita e Iraque). 

A rejeição às políticas neoliberais foi o principal fator que levou os britânicos a votar favoravelmente à saída do Reino Unido da União Europeia, mas isso foi escondido pela Grande Mídia global, que preferiu inventar uma história fictícia de que a maioria dos britânicos tinha adotado o ideário da extrema-direita (xenófobo e racista).

É bom ressaltar que tal ideia não tem fundamento algum, pois as regiões que deram maior apoio à saída britânica da UE foram aquelas nas quais o Partido Trabalhista é o mais votado. Em muitas delas o apoio à saída da UE chegou ou até passou de 70%. E o ideário do Partido Trabalhista não tem nada a ver com o discurso e a plataforma política da Extrema-Direita, que é marcadamente racista e xenófobo. 
Beppe Grillo é um humorista italiano que fundou o 'Movimento 5 Estrelas'. Sua popularidade cresceu muito, principalmente devido à insatisfação crescente dos italianos com as políticas neoliberais e de arrocho, as quais ele e o seu movimento são contrários. Para ele, o projeto de integração da UE faliu. 
Na época do referendo eu apontei, claramente, esse aspecto fundamental para se entender o resultado do mesmo, mostrando que os mais pobres, os aposentados e os trabalhadores de menor renda e de menor qualificação é que haviam votado maciçamente pela saída do Reino Unido da UE, pois estes são justamente os setores mais prejudicados pelas políticas neoliberais e de arrocho que são impostas pela UE, bem como pela ala neoliberal, thatcherista, do Partido Conservador, da qual David Cameron é o principal líder e representante.

Na Itália, nas recentes eleições municipais, o partido que mais cresceu, chegando a vencer as eleições para os governos de Roma e Turim, foi o 'M5S' (Movimento 5 Estrelas), que também defende o abandono das políticas neoliberais e de arrocho.

Em Portugal, já temos um governo moderado de Centro-Esquerda, do qual fazem parte os Partidos Socialista, Comunista, Verdes e o Bloco de Esquerda, que se dispõe a abandonar as políticas neoliberais e de arrocho.

Na França, a reforma trabalhista, de nítido teor neoliberal e que precariza o mercado de trabalho, foi rejeitada por 70% da população e o governo de François Hollande teve que impor a mesma ao povo francês, pois não tinha apoio suficiente para aprová-la no Parlamento, mesmo com o seu partido (dito 'Socialista') tendo a maioria absoluta dos votos no mesmo.

E pesquisas recentes mostram um crescimento da candidatura presidencial de Marine Le Pen, bem como demonstram que a maioria absoluta dos franceses votaria favoravelmente à saída da França da UE. Na Áustria, na mais recente eleição presidencial, o candidato da Extrema-Direita, que defende o abandono da UE, perdeu a eleição presidencial por uma pequena diferença. Mas uma nova eleição foi convocada e a chance de vitória da Extrema-Direita é significativa.
Donald Trump é um milionário que se tornou o candidato do Partido Republicano, mesmo contra a vontade dos líderes partidários. Seu discurso xenófobo, racista, anti-imigrantes, atrai um eleitorado que está muito insatisfeito com a situação econômica e social dos EUA. Mesmo sendo o país mais rico do mundo, os EUA tem 47 milhões de pessoas que dependem do programa 'Food Stamp' para poder se alimentar. E a maioria dos novos empregos (cerca de 60%) que são criados no país são precários (baixos salários, longas jornadas, temporários, de meio período). 
Enfim, é muito provável que estejamos assistindo aos momentos finais, aos estertores, do processo de Globalização Neoliberal Excludente.

Isso significa que a Globalização irá desmoronar? Muito dificilmente, até porque ela já avançou bastante. 

Mas, ela terá que tomar um outro rumo, que leve em consideração a as reais necessidades da maioria absoluta da população, deixando em segundo plano os interesses do capital financeiro, que sequestrou os governos do mundo todo nas últimas décadas.

Afinal, como disse Joseph Stiglitz (Prêmio Nobel de Economia) "A agenda neoliberal das últimas quatro décadas pode ter sido boa para o 1% superior, mas não foi para o resto... As famílias das classes trabalhadoras e das classes médias não têm se beneficiado do crescimento econômico. Eles compreendem que os bancos causaram a crise de 2008. Mas, daí, eles vem bilhões sendo destinados aos bancos e pouco para salvar suas casas e seus empregos. Com a renda mediana real (corrigida pela inflação) para um trabalhador masculino em tempo integral nos EUA menor que era há quatro décadas atrás, um eleitorado irritado não vem como surpresa". 

A Globalização somente não irá desmoronar se mudar de rumo e o quanto antes. 

É necessário adotar um 'New Deal Global', que transfira renda dos países mais ricos para os mais pobres e, dentro de cada país, dos segmentos mais ricos para os mais pobres da população.
As políticas neoliberais e de arrocho que o governo de Angela Merkel impõe à UE e à Zona do Euro estão ficando cada vez mais impopulares e até mesmo os franceses, que elaboraram o projeto de integração europeia com base na ideia de 'europeizar' a Alemanha e na construção e existência de um Estado de Bem-Estar Social (Welfare State), estão cada vez mais rejeitando o processo de integração. Pesquisas mostram que se fosse realizado um referendo na França, a maioria votaria pela saída da UE. 
Mas, para que isso venha a acontecer, é necessário que os novos governos dos EUA e do Reino Unido adotem tais políticas. Por isso que a vitória de Bernie Sanders era tão importante. Mas mesmo um governo de Hillary Clinton, que é totalmente submissa aos interesses do capital financeiro (de Wall Street) não poderá ignorar a crescente insatisfação da população dos EUA com as políticas neoliberais.

E isso talvez obrigue Hillary a ter que adotar, mesmo que a contragosto, uma parcela significativa da plataforma de Bernie Sanders, que defendia taxar os mais ricos e enfraquecer o poder político do capital financeiro (criminalizando muitas das suas atuais atividades), bem como dobrar o valor atual do salário mínimo (que é de US$ 7,50 a hora), criar um sistema público e universal de saúde, entre outras medidas que visam melhorar a distribuição de renda e promover a justiça social nos EUA. 

Que novos ventos soprem pelo mundo.

Seja bem-vinda à essa luta, Theresa May. E que Hillary Clinton siga o seu exemplo, caso venha a se eleger Presidenta dos EUA. 

Basta de arrocho e de austeridade! 

Esse é o recado que os povos do mundo inteiro estão dando por todo o mundo desenvolvido nas últimas eleições e referendos, principalmente nos países desenvolvidos.
O presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, criador do New Deal, que tirou os EUA da Grande Depressão, adotando um agressivo programa de aumento dos gastos sociais, de investimentos públicos e de geração de empregos para promover a retomada do crescimento econômico. As políticas do New Deal foram mantidas até que Ronald Reagan se elegeu Presidente e decidiu iniciar o seu desmonte. E o Mundo paga um alto preço por isso, neste momento, enfrentando sucessivas crises econômicas e sociais. Mal termina uma crise e já começa outra. 
A construção de um outro mundo é possível.

Fora Temer Neoliberal e Entreguista! 

Links:

Theresa May e a defesa de políticas keynesianas e intervencionistas:


As propostas de Bernie Sanders para enfraquecer o poder do Capital Financeiro: 


Michael Moore: Porque Trump é o favorito para vencer a próxima eleição presidencial: 


François Hollande impõe reforma trabalhista contra a vontade de 70% dos franceses e da maioria do Parlamento:

http://www.cartacapital.com.br/blogs/outras-palavras/agora-na-franca-a-201cdemocracia201d-sem-povo

Líderes políticos de França, Itália, Áustria, Dinamarca e Holanda querem realizar referendos sobre permanência ou não na UE:

http://www.revistaforum.com.br/2016/06/24/85936/

Jeremy Corbyn e as suas propostas para governar o Reino Unido: 

http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Conheca-as-propostas-do-novo-lider-do-trabalhismo-ingles/6/34484

'Movimento 5 Estrelas' vence as eleições em Roma e Turim:

http://pt.rfi.fr/mundo/20160620-roma-e-turim-escolhem-autarcas-do-populista-movimento-5-estrelas

'Movimento 5 Estrelas' vence as eleições em Roma e Turim; Partido é contra as políticas neoliberais e de arrocho: 

http://guerrilheirodoanoitecer.blogspot.com.br/2016/06/italia-m5s-partido-com-propostas-anti.html

Donald Trump irá destruir a Globalização Neoliberal?:

http://guerrilheirodoanoitecer.blogspot.com.br/2016/07/sera-que-trump-ira-enterrar.html

Luiz Gonzaga Belluzzo - A liquidação do Neoliberalismo: 

http://www.cartacapital.com.br/revista/904/a-liquidacao-do-neoliberalismo

Donald Trump e a crise do Neoliberalismo nos EUA:

http://p3.publico.pt/actualidade/politica/19980/por-tras-dos-gritos-de-trump-fractura-primaria-nos-eua

Brexit, Trump e os desafios do Populismo:

http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Brexit-Trump-e-os-desafios-do-populismo/6/36420

Economia mundial necessita de um New Deal Global:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2015/08/economia-mundial-necessita-de-um-new.html

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