terça-feira, 4 de outubro de 2016

A Classe Média, o Golpe de 64 e as eleições de 2016! – Marcos Doniseti!

A Classe Média, o Golpe de 64 e as eleições de 2016! – Marcos Doniseti!
A classe média saiu em peso às ruas de São Paulo, na 'Marcha da Família', lutando contra as 'Reformas de Base' que o governo Jango tentava levar adiante. A manifestação foi uma resposta ao comício da Central do Brasil, realizado no Rio de Janeiro no dia 13/03/1964.
Em 1964 a classe média também vibrou com a vitória do Golpe de 64, promovendo imensas manifestações pelo país inteiro. Daí veio a política de neoliberal e de arrocho da dupla Bulhões-Campos, que empobreceu essa mesma classe média.

Sentindo-se traída pelos regime militar, a classe média passou a apoiar as manifestações estudantis, que se espalharam pelo país inteiro e que cresceram rapidamente no primeiro semestre de 1968. O auge foi a chamada 'Passeata dos Cem Mil', em Junho, no Rio de Janeiro.

Para evitar a sua queda, a Ditadura Militar teve que apelar para uma feroz repressão, que resultou na adoção do AI-5, e para uma política econômica radicalmente diferente, que foi implementada por Delfim Netto, ministro da Fazenda do governo de Costa e Silva. Delfim aproveitou que toda a economia mundial da época crescia rapidamente e adotou uma política econômica expansionista.

Obs1: Esta foi a época de maior crescimento do capitalismo nos países desenvolvidos em toda a história. O livro de Eric Hobsbawm, 'Era dos Extremos', tem um capítulo inteiro dedicado ao tema.
Jornal 'Última Hora', defensor do governo Jango e das 'Reformas de Base', foi atacado pelos golpistas logo no início do Golpe de 64. Isso mostrava claramente no que este iria resultar: Ditadura. 
Delfim estimulou as exportações, atraiu investimento estrangeiro produtivo, ampliou a oferta de crédito para empresas e consumidores e manteve a inflação sob controle, num patamar inferior ao do governo de Castello Branco, por meio de uma política de controle de preços.

Com isso, gerou-se o famoso 'Milagre Brasileiro', por meio do qual a economia passou a crescer rapidamente (média de 13% ao ano entre 1968-1973).

Mas este 'Milagre' somente foi possível porque a economia mundial crescia muito.

A década de 60 foi uma época de 'Milagres Econômicos' na Europa Ocidental, nos EUA, no Japão. Até mesmo os países ditos socialistas (bloco soviético) tiveram crescimento (sua crise começaria apenas na década de 1970).

Assim, o 'Milagre Econômico Mundial' salvou a Ditadura Militar, impedindo que ela fosse derrubada por um processo de insatisfação popular e de convulsão social, que já estava em gestação no primeiro semestre de 1968.

Agora, o cenário brasileiro e mundial são totalmente diferentes.
Vladimir Palmeira, presidente da UME (União Metropolitana dos Estudantes), discursa na 'Passeata dos Cem Mil', realizada no Rio de Janeiro, em 26/06/1968. Este foi o maior ato contra a Ditadura Militar desde a vitória do Golpe de 64. Atos como este, reunindo dezenas de milhares de pessoas, se espalharam por todo o Brasil e contavam com um forte apoio da classe média. 
Todas as medidas do governo Temer possuem caráter recessivo (ela é uma cópia ridícula da política econômica da dupla Bulhões-Campos), mas a economia mundial e o comércio internacional estão estagnados e isso ocorre desde 2008.

A economia global vive, atualmente, a sua maior crise desde a Grande Depressão dos anos 1930. O FMI chama a época atual de 'Grande Recessão'. Todas as grandes economias mundiais estão crescendo bem pouco (EUA) ou se encontram estagnadas (UE, Japão, China).

A crise é tão grave que a pressão popular para que as políticas neoliberais e de arrocho sejam abandonadas é cada vez maior nos EUA e na EUA. Trump somente tem chances de se tornar o novo presidente dos EUA em função desta crise. No Reino Unido, a saída do Brexit se deu muito em função do desejo do povo britânico de romper com as políticas de arrocho que o governo de David Cameron e a UE impõem, desde 2009, aos seus países membros.

Assim, agora não existe um cenário econômico mundial que possa ajudar o governo Temer a adotar políticas favoráveis ao crescimento.
Delfim Nettro, ministro da Fazenda brasileiro entre 1967 e 1974, e Costa e Silva, ditador entre 1967 e 1969. Delfim reorientou a política econômica, adotando medidas de estímulo ao crescimento econômico que resultaram na criação do chamado 'Milagre Brasileiro' (1968-1973). Com isso, a Ditadura Militar recuperou o apoio da classe média. Tal 'Milagre', no entanto, somente foi possível porque o mundo capitalista desenvolvido vivia o período de maior prosperidade de toda a sua história. 
Todas as políticas deste governo são neoliberais e de arrocho. Todas as medidas que ele pretende adotar são recessivas: arrocho salarial, eliminação de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, corte drástico dos investimentos públicos e na área social (vide PEC 241 e PL 257), redução e extinção dos programas sociais (Fies, ProUni, MCMV, etc).

Tais medidas irão aprofundar a recessão que o Brasil enfrenta desde 2015 e que foi provocada pelo movimento golpista, pelo Terrorismo Midiático e pela Lava Jato.

E esta Recessão irá empobrecer a classe média, tal como aconteceu durante o governo de Castello Branco.

Um povo que não conhece a própria história estará sempre condenado a repeti-la.
A invasão da Universidade de Brasília, em Agosto de 1968, já era uma demonstração clara de que a Ditadura Militar iria ficar cada vez violenta e repressiva. E em 13/12/1968 isso acabou se confirmando, quando tivemos a assinatura do AI-5. 
Link:

Invasão da Universidade de Brasília:

http://campus.fac.unb.br/arquivo/campus12014/especiais/item/3280-a-universidade-invadida

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