terça-feira, 11 de outubro de 2016

Brasil (A.G.; D.G.): Antes do Golpe e Depois do Golpe! - Marcos Doniseti!

Brasil (A.G.; D.G.): Antes do Golpe e Depois do Golpe! - Marcos Doniseti! 
Na soma dos anos de 2012, 2013 e 2014 foram vendidos, no Brasil, mais de 11 milhões de veículos Zero Km (automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões), alcançando uma média anual de 3.688.000 veículos. Agora, em 2016, as vendas devem ficar em torno de 2.000.000 veículos, acumulando uma queda de 45,8% em relação a 2014. 
Em 2014, antes do movimento golpista mostrar as suas garras, os resultados das vendas de veículos zero km, das vendas do comércio varejista, da criação de empregos, da taxa de inflação,  dos acordos salariais e de vários outros indicadores econômicos e sociais foram totalmente diferentes, alcançando resultados muito melhores do que os de 2016.

O fato é que os golpistas jogaram o país na crise para poder derrubar o governo Dilma e, agora, já não sabem o que fazer para tirá-lo desta situação que se carateriza por uma forte recessão, grande queda nas vendas de veículos, diminuição significativa nas vendas do comércio varejista, arrocho salarial, rápido aumento do desemprego, elevação dos juros reais e grande crescimento do número de falências e de pedidos de recuperação judicial.

Brasil em 2014!

Antes do Golpe, o Brasil era assim (dados de 2014): 

1) Vendas de veículos em 2012/2014 passam de 11 milhões de unidades (automóveis, comerciais leves, ônibus, caminhões):

http://g1.globo.com/carros/noticia/2015/01/brasil-tem-queda-nas-vendas-de-veiculos-pelo-2-ano-seguido.html
A indústria automobilística brasileira possui uma imensa capacidade de produção ociosa atualmente. Isso significa que não teremos novos investimentos na ampliação da capacidade produtiva por muitos anos, pois irá demorar bastante tempo para que a capacidade ociosa volte a ser utilizada.  
2) Brasil fecha 2014 com inflação de 6,4%, abaixo do teto da meta:


3) Brasil criou 397 mil empregos formais em 2014:


4) Dieese: Em 2014, 91,5% dos acordos salariais concederam aumentos reais de salários!


5) Vendas no varejo cresceram 2,2% em 2014!

As vendas de veículos Zero Km bateram um recorde histórico durante o primeiro mandato do governo Dilma, atingindo 14.700.000 unidades, acumulando um crescimento de 23,1% em relação ao total vendido durante o segundo mandato de Lula (11.939.000 veículos vendidos entre 2007-2010). 
6) Brasil encerra 2014 com a menor taxa de desemprego da história (4,3% em Dezembro):


7) Brasil encerra 2014 com aumento de 2,7% nos salários médios reais:


8) Brasil encerra 2014 com taxa Selic de 11,75% ao ano:


9) Brasil encerra 2014 como o 6o. país do mundo que mais atraiu investimentos externos produtivos (IED):

10) Brasil encerra 2014 com Renda Per Capita de US$ 11.670:

https://brasilfatosedados.wordpress.com/2014/10/09/renda-02-evolucao-do-pib-per-capita-em-dolar-u-brasil-1990-2014-ganho-ou-perda-por-governo/
Dieese: Entre 2004 e 2015 a maioria absoluta dos acordos salariais fechados no Brasil proporcionaram ganhos reais de salários para os trabalhadores. Note-se, no entanto, que ocorreu uma queda significativa em 2015, ano em que o movimento golpista ganhou muita força. Agora, em 2016, isso acabou: No primeiro semestre de 2016 apenas 39% dos acordos salariais fechados no Brasil proporcionaram ganhos reais de salários para os trabalhadores. E se depender do governo Temer, com as suas políticas de arrocho salarial, terceirização generalizada, privatizações desnacionalizantes, cortes drásticos nos investimentos públicos, o cenário tende a piorar bastante. 
Agora, vejam quais eram as previsões, feitas em Janeiro de 2015 por economistas de mais de 100 instituições financeiras, que foram consultados pelo Banco Central, para o comportamento da economia brasileira entre os anos de 2015-2018:

Previsões de economistas para a economia brasileira em 2015. Entre parêntesis coloco o que aconteceu:

1) PIB: Crescimento de 0,38% (caiu 3,8%);

2) Produção Industrial: Aumento de 0,71% (caiu 8,3%);

3) Taxa de Inflação: 6,67% (foi de 10,67%);

4) Superávit primário: 1,05% do PIB (Teve déficit 1,88% do PIB). 

Previsões dos economistas para a economia brasileira em 2015:

http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/01/previsoes-para-economia-pioram-mesmo-com-nova-equipe-de-dilma.html

Assim, não há uma única estimativa feitas pelos economistas, em Janeiro de 2015, que apontasse para a forte crise que o Brasil enfrentou em 2015 e 2016. 
Previsão dos economistas das instituições financeiras era de crescimento para a economia brasileira entre 2015-2018. No entanto, tais estimativas não se confirmaram, em função do movimento golpista, do terrorismo midiático da operação Lava Jato e das Pautas-Bomba do Congresso Nacional. Ação da oposição foi decisiva para provar a crise econômica que, depois, foi usada como pretexto para derrubar Dilma. 
Todas as estimativas feitas em Janeiro de 2015 apontavam para um pequeno crescimento econômico naquele ano, mas não se falava que o país iria sofrer uma queda de 3,8% do PIB, tampouco que a produção industrial iria despencar 8,3% e que o déficit primário atingiria 1,88% do PIB.

E qual é o motivo para que esse cenário negativo acontecesse, se não existiam as condições econômicas e financeiras para que uma crise de tal intensidade ocorresse? Se as condições econômicas e financeiras do país não eram tão ruins, muito pelo contrário, o que levou os economistas das instituições errarem tanto em suas estimativas para o desempenho da economia brasileira em 2015?

É que estes economistas levavam em consideração que Dilma, que tinha acabado de ser reeleita Presidenta (com 54,5 milhões de votos), conseguiria governar normalmente e que também conseguiria aprovar as medidas previstas em seu plano de ajuste econômico. 

Estes economistas, todos muito bem informados sobre a situação econômica e financeira do país e que fazem parte da elite do mercado financeiro, não imaginavam que teríamos um forte movimento golpista que iria impedir Dilma de governar, nem que teríamos uma sucessão de pautas-bomba sendo aprovadas pela oposição, no Congresso Nacional, com o objetivo, declarado publicamente pelos líderes oposicionistas, de impedir que Dilma governasse. 


Previsão dos economistas consultados pelo Banco Central em Janeiro de 2015 apontava para um crescimento da produção industrial brasileira entre 2015-2018. No entanto, ela desabou 8,3% em 2015. E no período de Janeiro a Agosto de 2016 a queda acumula 8,2%.
E tampouco estes economistas contavam com o fato de que a Grande Mídia promoveria um brutal terrorismo midiático a fim de assustar a população (usando do discurso falso e mentiroso de que o Brasil estava 'quebrado'), para que ela parasse de consumir (o que aconteceu, principalmente com relação aos bens e serviços de maior valor), o que jogou o país na Recessão, e tampouco de que a operação Lava Jato passaria a ser instrumentalizada, visando derrubar o governo Dilma e destruir politicamente Lula e o PT.

Portanto, foi o movimento golpista que jogou o Brasil na crise atual, a mesma que o governo Temer não consegue resolver. E nem conseguirá.


Até mesmo o atual presidente do Banco Central reconheceu que o Brasil enfrenta, atualmente, a pior Recessão da sua história. Ele nunca irá reconhecer isso, é claro, mas foi o movimento golpista que provocou essa crise, como demonstrei aqui. 

E não existe, atualmente, a menor possibilidade do Brasil vir a superar essa crise, pois todas as condições necessárias para que o país pudesse voltar a crescer são inexistentes atualmente: 

1) Os investimentos produtivos estão diminuindo;


Previsão dos economistas consultados pelo Banco Central em Janeiro de 2015 apontava para uma taxa de inflação de 6,7% em 2015 (ela foi bem superior, de 10,67%) e de 5,7% para 2016 (deverá fechar em torno de 7,2%). Cenário político (traduzindo: movimento golpista) foi o responsável pela deterioração da situação econômica e social do Brasil em 2015 e em 2016. E as perspectivas para os próximos anos (2017 e 2018) são péssimas. 
2) A produção industrial está sofrendo uma forte queda. 

A produção de veículos, por exemplo, desabou 18,5% (para 1,550 milhão de unidades) entre Janeiro e Setembro deste ano, em relação ao mesmo período de 2015, tendo o seu pior desempenho desde 2003. 

E a produção de veículos responde, sozinha, por cerca de 25% de toda a produção industrial brasileira; 


Vejam isso: "Com o resultado, as 2,57 milhões de unidades negociadas em todo o ano de 2015 representam uma retração de 26,6% com relação as 3,50 milhões de 2014. Para Luiz Moan Yabiku Junior (obs: Presidente da Anfavea) o abalo na confiança foi o principal fator de influência para o resultado:


Anfavea: “O cenário político de 2015 contribuiu para a redução da confiança dos consumidores e investidores. A consequência disso é o adiamento da compra, pois se criou uma expectativa por definições para dar maior previsibilidade e propiciar um melhor planejamento”.".
A taxa de inflação ficou dentro das metas estipuladas pelo CMN entre 2004 e 2014. Foram 11 anos seguidos com a inflação dentro da metas, algo inédito na história do Brasil. Somente em 2015 e em 2016, em função do agravamento do cenário político (movimento golpista), é que isso não aconteceu. 
Assim, o próprio presidente da Anfavea (associação que reúne as montadoras de automóveis) reconhece que foi o 'cenário político' a principal causa da queda das vendas de veículos no Brasil em 2015. E o que tivemos no cenário político brasileiro durante todo o ano de 2015? O movimento golpista, a aprovação das pautas-bomba do Congresso Nacional, o terrorismo midiático e a operação Lava Jato, que provocaram a crise que o Brasil enfrenta atualmente;

3) As vendas do comércio varejista estão desabando;

4) Os investimentos públicos estão diminuindo;

5) As exportações estão caindo (elas caíram 4,6% em relação a 2015, no período de Janeiro a Setembro);

6) O interesse das multinacionais em investir no Brasil diminuiu;

7) Os pedidos de falência e de recuperação judicial dispararam (aumento de 69% em Setembro, em relação ao mesmo mês de 2015);

8) A taxa de desemprego está crescendo rapidamente, atingindo 11,8% no trimestre encerrado em Agosto deste ano. 

Em uma situação dessas, a retomada do crescimento econômico é totalmente inviável, até porque as medidas do governo Temer são todas recessivas:
Até mesmo uma jornalista da 'Folha', Eleonora de Lucena, reconhece que o Golpe foi a causa da crise atual que o país enfrenta.

A) Aumento dos juros reais: A inflação diminui, mas a taxa Selic permanece inalterada, em 14,25% ao ano, elevando os juros reais, o que desestimula o investimento produtivo e o consumo;

B) Corte drástico dos investimentos públicos (vide a PEC 241);

C) Arrocho salarial e aprovação do PL 4330, que promove a terceirização generalizada, levando ao empobrecimento dos trabalhadores; 

D) Eliminação de direitos trabalhistas e previdenciários, vide as reformas que serão aprovadas em breve, que irão valer para quem já se encontra no mercado de trabalhos, jogando os direitos adquiridos na lata de lixo;

E) Redução dos investimentos nos programas sociais: Fies, ProUni, MCMV, entre outros, que sofrerão redução drástica de seus orçamentos;


F) Valorização do Real, o que encarece os produtos nacionais e barateia os importados.
'A Doutrina do Choque': Livro de Naomi Klein explica como os Grandes Capitalistas se aproveitam das crises (sendo que muitas delas são fabricadas) para impor uma agenda retrógrada, que elimina direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, promove privatizações generalizadas e implanta políticas neoliberais e de arrocho que são imensamente prejudiciais para os trabalhadores assalariados, para os mais pobres e, também, para a classe média. Na UE e nos EUA tais políticas estão empobrecendo e encolhendo a classe média, o que está gerando uma crescente insatisfação popular, como se percebe pelo Brexit e pela candidatura de Donald Trump. 
Links:

Brasil em 2015!

2015: Brasil teve déficit primário de 1,88% do PIB:

http://www.valor.com.br/brasil/4415892/setor-publico-fecha-2015-com-deficit-primario-de-r-1112-bilhoes

Produção industrial cai 8,3% em 2015:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/02/1736192-industria-cai-83-em-2015-e-tem-pior-resultado-desde-2003.shtml

Inflação fecha 2015 em 10,67%:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2016-01/ipca-inflacao-oficial-fecha-2015-em-maior-alta-desde

Presidente da Anfavea diz que cenário político foi a causa principal da forte queda nas vendas de veículos em 2015:

http://www.f24.com.br/noticias/economia/2016/01/07/278210-fabricantes-de-veiculos-acreditam-em-2016-com-producao-maior-e-e-focam-producao-de-olho-nas-exportacoes

Percentual de acordos Salariais fechados em 2015 que proporcionam ganhos reais de salários desabaram em 2015: 

http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2016/04/crise-inflacao-e-desemprego-derrubam-campanhas-salariais-em-2015-8271.html
'O Precariado': Livro de Guy Standing mostra como as políticas neoliberais e de arrocho estão empobrecendo a classe média e os trabalhadores assalariados, pois transforma a maior parte dos seus integrantes em trabalhadores precários, que são submetidos a longas jornadas de trabalho, recebem baixos salários, não desfrutam de direitos ou benefícios, assinam contratos de trabalho por meio período ou temporários. E com isso a chance de melhorar de vida, de ascender social e economicamente fica reduzida à zero. É esse modelo de relações trabalhistas que o governo Temer (apoiado por inúmeros partidos: PMDB, PSDB, DEM, PPS, PSB, PR, PSC, PRB, SD, PP, PSD, PTB) irá impor ao Brasil. E aí, gostou? 
Brasil em 2016!

Vendas de Veículos despencam em 2016:

http://g1.globo.com/carros/noticia/2016/10/venda-de-veiculos-novos-cai-20-em-setembro-diz-fenabrave.html

Pedidos de recuperação judicial crescem 69% em Setembro de 2016:

http://consultor-juridico.jusbrasil.com.br/noticias/391445682/pedidos-de-recuperacao-judicial-crescem-69-em-setembro-diz-boa-vista-scpc

Vendas do comércio varejista caem 7,1% em Julho, perante o mesmo mês de 2015:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2016-08/comercio-tem-o-pior-desempenho-para-um-mes-de-julho-em-16-anosdiz-serasa

Produção industrial brasileira cai 5,2% em Agosto, perante igual mês de 2015; No acumulado de 2016, queda chega a 8,2%:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/10/1819666-producao-industrial-no-brasil-cai-38-em-agosto-diz-ibge.shtml
O PIB do Brasil teve um crescimento expressivo durante os governos Lula e Dilma, passando de US$ 459 bilhões (2002; 13o. do Mundo) para US$ 2,4 trilhões (2014; 7o. maior do Mundo). 
Brasil cai no ranking de destinos preferidos de multinacionais para investimentos:

http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-cai-no-ranking-dos-destinos-preferidos-de-multinacionais-ate-2018,10000080633

Exportações diminuem 4,6% no acumulado de Janeiro a Setembro de 2016:

http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2016/10/saldo-comercial-soma-us-3-8-bi-em-setembro-e-vai-a-us-36-bi-no-ano-2578.html


Golpe jogou o Brasil na pior recessão da história!



Golpe aprofundará recessão que ele mesmo provocou! 

Durante os governos Lula e Dilma tivemos o início de uma sensível redução da concentração de renda no Brasil. O índice de Gini, por exemplo, caiu de 0,594 (2002) para 0,526 (2012). Quanto mais próximo de Zero, menor é a concentração de renda.
IPEA: Investimentos produtivos despencaram 14,1% em 2015 - Queda tem continuidade em 2016:


Nível de investimento na indústria será o menor em 5 anos:


Produção de veículos despenca 18,5% entre Janeiro e Setembro, em relação ao mesmo período de 2015:


A inflação acumulada entre 2003-2016 foi de 130%. Se o salário mínimo tivesse sido reajustado apenas com base na inflação do período, o valor atual dele seria de apenas R$ 460. O Salário Mínimo somente chegou ao valor de R$ 880 devido aos aumentos reais concedidos anualmente pelos governos Lula e Dilma.
Indústria automobilística possui grande excesso de capacidade produtiva:

http://www.automotivebusiness.com.br/colunista/9/Julian%20Semple

Perdas salariais: Quase 52% dos acordos salariais fechados em Agosto de 2016 não conseguem repor a inflação acumulada:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/09/1815299-maioria-dos-acordos-salariais-de-agosto-fica-abaixo-da-inflacao.shtml

Taxa de desemprego chega a 11,8% no trimestre encerrado em Agosto de 2016:

http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2016/09/mercado-de-trabalho-volta-a-eliminar-vagas-9958.html

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